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19/11/2010 - 12h41 - Atualizado em 18/05/2012 - 14h05

Caráter bem-humorado a um enfadonho cotidiano

Por Lidyanne Aquino, aluna do 2º ano de Jornalismo

Quadrinhos milimetricamente formatados para as telonas

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Reprodução
Os atores Michael Cera e Mary Elizabeth Winstead

A premissa de Scott Pilgrim Contra o Mundo é um mero disfarce. A pacata vida contada como um jogo de videogame parece um tema de interesse somente para jovens nerds e geeks. Lutar com os “sete ex-namorados malvados” da garota - literalmente - de seus sonhos, pode parecer ainda mais absurdo, mas é apenas o artifício ideal utilizado para aplicar, de forma bem humorada e inteligente, inúmeras tiradas sarcásticas ao filme.

Scott Pilgrim, interpretado sem muitas dificuldades por Michael Cera, segue a linha dos exemplos a não serem adotados. Com 23 anos, está desempregado, não faz faculdade, além de ter um amigo gay como roommate. Para completar, mantém uma banda com amigos do Ensino Médio, a Sex Bob-Omb. E “namora” uma  colegial. Tudo muda quando encontra a garota que havia aparecido em seu sonho - Ramona Flowers, papel de Mary Elizabeth Winstead. A moça acaba de chegar à cidade e seu ar misterioso atrai ainda mais a atenção de Scott – o que é muito, para um garoto distraído como ele. Porém, para ficar com Ramona, ele precisa enfrentar a liga dos sete ex-namorados dela.

Através de metáforas bem elaboradas, inicia-se o ‘jogo’ para permanecer com a garota. Ao adaptar a série de quadrinhos de Brian Lee O’Malley, o diretor Edgar Wright faz bom proveito dos recursos do cinema para deixar o enredo ainda mais emocionante. Não descarta elementos do videogame - cada duelo é marcado pelo “VS”, além da clássica barrinha de vida.
 
Uma das características marcantes do longa são as piadas aplicadas por intermédio dos sete ex-namorados. O terceiro, Todd - vivido pro Brandon Routh - ganhou poderes especiais por ser vegan. Chris Evans interpreta Lucas Lee, um ator que tira proveito da fama de vilão e dos incontáveis dublês, mas não é esperto o suficiente para recusar o desafio proposto por Scott. Como nos games mais conhecidos, a personagem principal precisa conhecer as táticas especiais para combater cada oponente - e, claro, adquire vantagens ao fim de cada disputa. Além das moedinhas adquiridas ao eliminar cada oponente, as conquistas são criativas - como uma “Espada do Amor Próprio”, que dá direito a um bônus pela confiança na própria personalidade.

Caso se tratasse de um filme fraco, o humor ácido presente na maioria das cenas seria suficiente para ofuscar qualquer defeito. A perspicácia de Kim Pine, encarnada por Alison Pill e as falas do divertido Wallace, - papel de Kieran Culkin - amigo gay que divide o quarto com Scott, são dois bons exemplos da presença do gênero comédia.

A escolha das músicas para a trilha sonora também é impecável – inclui canções ‘moderninhas’, como Black Sheep, da banda Metric e clássicas, como Under My Thumb, dos Rolling Stones.

Através de diálogos espertos e incontáveis referências à cultura pop, Scott Pilgrim Contra o Mundo diverte sem cair nos clichês das comédias comuns, atribuindo faceta bem-humorada ao ordinário cotidiano.



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