Comportamento detalhado em pesquisa pareceu dissonante ao apresentado pelos convidados
O penúltimo painel do 4º Seminário de Jornalismo Online, MediaOn 2010, convidou Juliana Sawaia, gerente de inteligência de mercado do IBOPE MIDIA, para comentar sobre o perfil do novo consumidor de informação: como usuários mostram em tempo real seu relacionamento com o mundo digital. Com mediação da jornalista Renata Simões, a mesa contou ainda com a participação de Alyne Spioni Jovita, estudante de Administração de Empresas na Faculdade Sumaré, dos estudantes Cleber Santana e João Cobra Sander, além de Juliana Rodrigues, jornalista e blogueira.
Sawaia apresentou vários dados trazidos de pesquisas realizadas pelo instituto que representa, justificando todo o levantamento por conta do interesse em estudar o comportamento humano. Segundo ela, os brasileiros ficam em média uma hora por dia nas redes sociais, tendo o Orkut com a maior quantidade de acessos, seguido de Facebook e Twitter. “A grande maioria dos usuários gostam de seguir amigos e membros da família, além de celebridades. As pessoas não estão seguindo empresas, estão tentando se comunicar com quem elas já poderiam por outros meios”, afirma Sawaia.
Para a representante do IBOPE, as redes sociais são tão atrativas que mesmo quem ainda não está inserido nelas possui intenção. “Em Salvador, houve um aumento de 29% na compra de celulares ou mudança de plano para facilitar acesso às redes. Nos últimos cinco anos, esse aumento foi de 100% nas classes C e D. Vemos uma necessidade de se conectar ainda mais”, indica. Segundo Sawaia, 70% das pessoas acessam a internet de casa, enquanto 37% usam lanhouse, onde se reúne a classe mais jovem com interesse voltado aos games. Quanto à venda de celulares, a média nacional foi de um aumento de 5%, enquanto em Florianópolis, os dados indicam 8%.
Quanto ao comportamento dos usuários em redes sociais, Sawaia indica que a maioria ativa manda scraps, faz upload de fotos, posta notícias e mapas. “Vemos que ali estão os principais instintos do ser humano, que é o de se relacionar. Não estamos falando de tecnologia, estamos falando de relacionamento. O ser humano quer se conectar e usa plataformas para isso”, complementa. Essa conexão, segundo as pesquisas, é de que, em média, os usuários possuem 273 amigos. “O capital social criado nas redes, além de servir como informação para empresas usarem do ponto de vista mercadológico, faz parte de um diário do século XXI, que não tem cadeado e fica sobre a mesa.” Isso, para Sawaia, é tão evidente que ela exemplifica com a questão da postagem de fotos, que servem para acrescentar um fato que as pessoas querem contar.
Por conta desse grande uso e costume com as redes sociais, Sawaia afirma que isso ainda pode se tornar patológico. “As redes sociais afetam o cérebro do mesmo jeito que a paixão, mas se uma pessoa já possui um desequilíbrio anterior ao uso delas, é natural que isso se repercuta na web”, afirma. A influência no humor das pessoas é tanta que Sawaia indica, com dados, que no Facebook, por exemplo, 70% das pessoas se sentem mais felizes quando amigos comentam ou “curtem” seus comentários. “Todos querem ser aprovados”, opina.
Marcas em redes sociais
Para Sawaia, as empresas precisam ser “convidadas” a fazer parte de um grupo de amigos nas redes sociais. “Tem que ter uma linguagem adaptada para chegar nesse ideal e para, efetivamente, chegar num insight a partir disso”, explica. As marcas precisam compreender o Small World Phenomenon, no qual conforme a conectividade aumenta, o mundo diminui. “É necessário fazer uma tecnografia, entender os perfis dos novos usuários, como é que as pessoas lidam com a tecnologia no dia a dia.” Sawaia divide os internautas entre watcher (os que assistem, lêem e ouvem), sharer (compartilham informações, fotos), commenter (avaliam, comentam e participam), producer (publicam, mantêm e criam blogs) e curator (editores).
Para a sorte das empresas, Sawaia afirma que, nas redes sociais, as pessoas estão abertas para as empresas. “Cerca de 80% das pessoas não se incomoda com empresas usarem rede para divulgar, analisar comportamento dos consumidores ou para se comunicar com eles”, relata.
Os usuários
Os convidados, após a fala de Sawaia, foram questionados quanto ao que faziam diante do computador que cada um portava. Ao contrário do que se imaginava, a maior parte deles não mantinha muitas atividades ao mesmo tempo, nem possuíam tanta atividade nas redes sociais. No caso da estudante de administração, Alyne Spioni Jovita, ela disse possuir apenas uma conta no Orkut e um e-mail. Já Cleber Santana mantinha uma média de seguidores bastante inferior à apresentada por Sawaia, apesar de concordar com os apontamentos da pesquisa quanto aos usuários que seguem apenas conhecidos e familiares.
O destaque foi João Cobra Sander que, por sua idade, 14 anos, mostrou-se curioso aos participantes da mesa. Apesar de não ser exatamente um heavy user, o estudante divulgou um canal de vídeos feito por seus amigos e contou sua rotina dividida entre escola e internet, indicando não fazer pesquisas acadêmicas através da web. Já a jornalista Juliana Rodrigues representou o uso mais prático e profissional da internet, contando que o tempo todo está checando os e-mails e está a maior parte do tempo conectada.
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