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18/11/2010 - 15h53 - Atualizado em 19/05/2012 - 21h57

PC Siqueira, Mistery Guitar Man e Pablo Peixoto falam sobre vlogs com Marcelo Tas

Lidia Zuin com reportagem de Henrique Koller

Último painel do MediaOn 2010 traz jovens que se tornaram sucesso na internet por causa de seus vídeos

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Ricardo Matsukawa/Terra
No telão, Joe Penna, abaixo PC Siqueira, Marcelo Tas e Pablo Peixoto

O último painel do 4º Seminário de Jornalismo Online, MediaOn 2010, trouxe vloggers como representantes da proposta: “Estrelas de vídeos web: sucesso relâmpago ou os novos comunicadores?” Através de video call, Joe Penna, mais conhecido como Mistery Guitar Man, conversou junto de PC Siqueira e Pablo Peixoto sobre como produzir conteúdo em vídeo na internet, conquistar audiência e virar um meio de comunicação e negócio. Com mediação de Marcelo Tas, a mesa fechou o evento.

O primeiro a se pronunciar, Joe Penna, começou revelando ter deixado o curso de medicina para se dedicar à criação de vídeos para a internet. “Foi difícil, no começo. Eu colocava vídeos há nove meses: dois por dia, na terça e na quinta. O processo de edição é demorado. Ao todo, gastava de 16 a 20 horas.” Tas, então, comparou o trabalho de Penna com o que ele mesmo fazia no começo da carreira, com U-matic, primeiro formato comercial de videocassete. “Eu conseguia, no máximo, sete canais de áudio e vídeo, e todas as músicas eram feitas por mim, com todos os instrumentos.”

Para Penna, publicar os vídeos é um prazer. “Quando perguntam par Amim qual é o meu hobby, digo que são os vídeos. As pessoas não acreditam e falam: ‘não, esse é o seu trabalho. Qual é o seu hobby?’” Desde 2006 produzindo, Penna, no início, fazia de graça, mas indica que, se pudesse, assim o faria até hoje. No entanto, o vlogger hoje tem empresa, agente e faz trabalhos com publicidade.

Segundo Penna, os anunciantes entendem que o público na internet é diferente e, por isso, acabam utilizando outros métodos para fazer a publicidade. “Eles simplesmente me entregam o produto e me deixam criar a melhor situação para usá-lo. Não interferem no processo criativo nem nos moldes do vídeo, porque são justamente esses elementos que os espectadores buscam ao procurar os vídeos do Mistery Guitar Man”, indica. Para ele, a web possibilita um fluxo criativo maior, porque os próprios criadores de vídeo se pautam e eles conhecem sua audiência. “As pessoas procuram os nossos vídeos, então elas sabem exatamente o que estão buscando, coisa que a televisão não fornece”, comenta Penna, sendo complementado por PC Siqueira: “Na televisão, a pessoa não escolhe o que ela está vendo. Na internet, ela tem que se interessar pelo assunto ou tem que procurar o vídeo.”

Pablo Peixoto mostrou acreditar que o vídeo na internet dá mais liberdade, tanto de assunto, linguagem e de pessoas. “Já tive convite para fazer um programa na TV, mas desisti justamente por essa maior liberdade que a internet me proporciona. Na TV é tudo certinho e plastificado”, confessa. Segundo ele, há um compromisso com o amadorismo. “Acho que a coisa que é feita descompromissadamente, com menos perfeição, soa mais honesta.”

Para Peixoto, os requisitos para se fazer um vídeo de sucesso é ter senso de oportunidade (conteúdos em voga), timing e senso de humor. “Tem que fazer isso muito rápido”, diz. No caso dele, com oito horas em que já havia finalizado um vídeo, incluído em sua conta o processo de criação e de edição e divulgado no Twitter, bastou mais algumas horas para já adquirir milhares de visualizações. Ainda assim, o vlogger acha que a internet está muito carente de conteúdo, que há muita cópia e reciclagem. “Por que ao invés de copiar, você não cria uma coisa legal, se aprofunda no vídeo de base e adiciona uma cereja ao bolo?” Na internet, Peixoto indica, os usuários podem ser publicitário e mídia ao mesmo tempo. “Você faz o seu próprio broadcasting.”

Já PC Siqueira vê no Youtube uma ferramenta de relacionamento social, um site de relacionamento. “A interação com os espectadores a partir dos comentários nos vídeos e no canal faz com que nós possamos melhora e avaliar a recepção dos vídeos.” Ele afirma nunca fazer roteiro dos vídeos, que sempre “senta e fala o que dá na telha.” “O timing da comédia é o corte dos respiros. Não conseguia ouvir podcasts porque eram muito compridos e chatos, por isso corta os respiros”, confessa.

Quanto ao dinheiro, PC indica que ele recebe uma quantia da mesma forma que o vlogger e colega Felipe Neto, a partir dos advertisementsdo Google. No entanto, ele afirma que esse não foi o objetivo do vlog. “Foi para me expressar. Tem muitos vlogs que estão aí só para ganhar dinheiro e fracassam redundantemente. Mas também tem muitos que estão aí só para as pessoas se expressarem. Não é questão de se vender. Se você assume como um trabalho, tem que assumir a responsabilidade”, conta, dando como exemplo a ausência de Felipe Neto: “Se ele não veio porque tinha cachê é porque ele tem outras coisas que estão oferecendo dinheiro para ele. Se querem transformar um vlog em algo e ele quer virar isso mesmo, tem mais é que perseguir mesmo.”

Quanto à persistência, PC diz que há muitos vídeos seus em que as pessoas vêm para “encher o saco”. “Tem muita gente burra por aí. Você tem que saber relevar e ignorar”, critica. Peixoto concorda, dizendo que “as pessoas vêm criticar para serem maiores do que são.” Contudo, ambos assumem não ter noção do alcance de seus vídeos ou o poder de penetração do que fazem. Eles afirmam saber que é considerável e, justamente por isso, tentam manter um código de ética.

No caso de PC, ele diz evitar falar mal das pessoas. “Não costumo citar indivíduos em meus vídeos. No máximo, a caráter de exemplo, para as pessoas se identificarem”, afirma. Já Peixoto se modera a partir da edição de seus vídeos. “Quando vejo que a ultrapassei, apago essa parte. Não tenho medo de tomar um processo, mas também nunca fui processado apesar de usar multimídia com direitos reservados”, complementa Peixoto.



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