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17/11/2010 - 18h11 - Atualizado em 17/05/2012 - 20h25

Sérgio Dávila e Ricardo Gandour discutem sobre redações integradas

Lidia Zuin, monitora do site de jornalismo

Executivos da Folha e Estadão debatem sobre a importância da união não somente física, mas orgânica dos jornalistas do meio impresso e online

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Ricardo Matsukawa/Terra
Leão Serva mediou o painel sobre redações integradas com Sérgio Dávila e Ricardo Gandour

A segunda mesa do último dia do 4º Seminário de Jornalismo Online, MediaOn 2010, trouxe executivos dos principais jornais paulistas para discutir como foi feita a convergência do mundo digital com as redações da mídia impressa. Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha de S.Paulo, e Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado, debateram o tema numa mesa mediada por Leão Serva, diretor de redação do Diário de São Paulo.

Gandour preferiu começar sua apresentação distinguindo as fases do jornalismo online entre o período de reaproveitamento, adaptação e convergência. No primeiro, em que a prática se tornava mais barata, os processos eram automáticos e a organização não precisava se adaptar, mas tudo era “canibalizado”. “O produto só é digital, só como plataforma e não aproveita o potencial do canal, que é a internet”, afirma. Já na adaptação, uma equipe especializada passou a existir para receber o conteúdo do papel e adaptar para a web, no entanto, a informação ainda não era pensada digitalmente. Já na convergência, momento atual, as pautas são pensadas independentemente, de forma multiplataforma, desde o início da produção. “O jornalista tem que pensar em texto, foto e arte. Todos fazem parte do processo jornalístico e, por isso, devemos usar todas as ferramentas.”

Gandour conta que no Grupo Estado, a integração da redação online com a impressa foi feita fisicamente em 2007. “Como o prédio é horizontal, facilita a comunicação. Todos foram postos num só salão e os profissionais dos cadernos diários se aproximaram dos membros da web, visando a convergência da dinâmica diária entre os dois meios.” Para o diretor de conteúdo do Grupo Estado, a mídia atual já está deixando de fazer a pura e simples adaptação. “Hoje o grupo Estado já processa a notícia e se ela for instantânea, ela sai em todas as plataformas.” No entanto, Gandour entende que conforme os meios vão amadurecendo, o público escolhe o preferido a partir do conteúdo. “Na internet, economia e negócios, política e tecnologia são os assuntos mais demandados.”

Assim, ele começou a expor a atuação do grupo pela internet, como nas redes sociais, onde reúnem 127 mil seguidores em 31 perfis, somente no Twitter. “Nós acolhermos comentários e trazermos subsídios do público para as reportagens faz parte da mudança. Agora com os dispositivos móveis, temos que pensar na mobilidade, em passarmos as informações rápida e objetivamente.” Gandour acredita que os tablets resgatam a leitura com calma, em completude, robustez, multimídia e interação, além da possibilidade de edição. “Enquanto a web retirava o valor da informação, portanto tudo é grátis, no tablet eu passo a topar pagar R$1,99 por aquilo que o jornal impresso entendeu como não relevante”, explica. Gandour entende que os tablets são um prenúncio da tecnologia estável. “O meio, quando se estabiliza, sai de cena e o conteúdo ganha força.”

Jornalistas jovens no meio online

O editor-executivo da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila, começou sua fala lembrando-se do comportamento da mídia estadunidense. “Alguns jornais abriram todo seu conteúdo online, enquanto outros cobravam por tudo. Mas também houve aqueles que estavam repensando se era o caso de se cobrar ou não pelo conteúdo online, principalmente sobre como fazer essa integração entre duas plataformas essenciais: o papel e o meio online, o analógico e o digital.”

Para Dávila, a situação é de insegurança. Assim como no Estadão, a Folha também mudou fisicamente. “As redações hoje ficam no quarto e quinto andar do prédio.” Segundo ele, como a redação online emulava o papel, foi necessário fazer uma fusão entre a cultura online e impressa, justamente para fazer com que, ao longo do tempo, tudo acontecesse naturalmente. “Dali um ano as editorias passariam a agir como órgãos vivos e uníssonos. Mas, de fato, isso não aconteceu”, confessa.

O editor-executivo relata que os acontecimentos entraram em consonância com o que se passou no Washington Post. “O papel continua tendo a primazia financeira, a importância. As editorias de papel criaram guetos, muros invisíveis, e a integração se tornou apenas física, mas não orgânica.” Assim, Dávila indica que sua primeira missão no cargo atual foi tentar promover essa integração orgânica. “O desafio é o repórter sair para a pauta sem saber em qual plataforma irá publicar o conteúdo. Assim, ele produzirá para todos. Quem define a plataforma de cada notícia que será publicada é quem está na retaguarda, na edição”, explica.

Ao contrário do que se imaginava, Dávila indica que o papel continua “assinando as contas e pagando os cheques” da Folha. Segundo ele, de cada cem dólares que entra num jornal brasileiro atualmente, cerca de U$95 é gerado pelo papel. Assim, ele defende que um furo não perecível nas próximas oito ou dez horas seja publicado primeiro no jornal impresso do dia seguinte. “Isso não quer dizer que a gente não tenha dado furo online”, faz a ressalva.

Outro fato exposto por Dávila é que quem trabalha na redação da Folha Online possui o perfil mais jovem e menos fiel ao veículo. “A média é de pessoas com 25 anos e que já trabalharam em vários veículos ao longo de um curto tempo de experiência”, indica o editor que, no entanto, não vê isso como um problema: “Esses jovens têm um approach mais holístico em uma reportagem. Já pensam a pauta como multimídia e fazem títulos mais ‘sexy’, que atraem mais cliques.” Dávila indica que os jornalistas jovens tendem a pensar a notícia na forma online, usando recursos como galeria de foto, liveblogging e outros.



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