Mediaon discute como jornalistas podem usar a internet na produção de conteúdo
O último painel do dia 10 de novembro do 4º Seminário de Jornalismo Online, Mediaon 2010, trouxe Matthew Eltringham, editor de interatividade e desenvolvimento de mídias sociais da BBC News, e Julian Gallo, jornalista argentino especializado em tecnologia e meios interativos e diretor do site Cukmi.com, para discutir quem pauta e quem consome o que: mídias sociais versus sites de jornalismo, a caça do furo e do leitor. Com mediação de Silvia Bassi, jornalista do IDG Brasil, a mesa começou às 17h30.
Matthew iniciou sua apresentação deixando aberto o Tweetdeck em sua tela projetada no salão. Enquanto isso, o jornalista explicava que, enquanto as pessoas atualmente passam um minuto por dia nos sites de jornalismo, elas permanecem onze no Facebook. “As novas mídias são assustadoras para nós jornalistas mais antigos, que tínhamos controle físico das mídias”, assume. Para ele, as grandes notícias hoje chegam pelo Twitter: com o compartilhamento de informações, as mídias sociais acabam entrando na audiência. “Os jornalistas online devem procurar conteúdo em redes sociais. É preciso engajar a audiência e ainda mais ouvir essas redes para saber aonde estão indo e como se deve atuar nelas.”
Matthew acredita que essa mudança de relacionamento com a audiência cria desafios que os jornalistas precisam reconhecer e se envolver. “As redes sociais levarão o jornalismo a um patamar mais honesto, pois exigem transparência e prestação de contas”, comenta, sendo loco acrescentado por Silvia: “Todo jornalista hoje deve começar a carreira com uma lição de humildade. Não somos mais donos da notícia.” Matthew concorda e inclui dizendo que sempre haverá alguém na audiência que sabe mais sobre determinada matéria que o autor da mesma. “Se o nosso veículo não se engajar com a audiência, esse público vai se engajar com nossos concorrentes”, a.
Gallo trouxe em pauta uma alternativa ao fazer jornalístico: as entrevistas interativas. “É difícil falar, fazer algo inovador nas redes sociais, mas eu pergunto: o que podem fazer as redes sociais conosco? Como nós podemos contribuir com as redes sociais?”, questiona. Tendo em vista a pluralidade de meios que vêm a colaborar com a construção de notícias, Gallo vê que essas entrevistas interativas possam funcionar como “cápsula do tempo para conservar patrimônio de nossa gente”.
Neste ano, mais de mil pessoas munidas de webcam responderam às entrevistas interativas feitas pelo California Department of Education. Sob o título de Star Test, é possível de se buscar as entrevistas de acordo com categorias como gênero sexual, etnia e educação dos pais. No entanto, esse sistema, como qualquer um, possui falhas. Gallo mostra o uso da entrevista interativa feito por um escritor, que ficou questionando sobre o sentido das perguntas, mostrando resistência a responder.
Assim, apesar de ambos verem as redes sociais como uma grande oportunidade, Gallo enfatiza que é necessário que os jornalistas suspeitem de tudo que é publicado neste meio. “Às vezes eu não acredito nem no que toco. Uma corporação de notícias possui vários mecanismos para verificar a compatibilidade dos conteúdos. Mas há informações que são impossíveis de serem apuradas. É preciso entender pelo senso comum quais são as fontes confiáveis”, concluiu.
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