Arte do canal

índice geral



Home / Jornalismo / Resenhas

12/11/2010 - 16h47 - Atualizado em 19/05/2012 - 04h21

Marcelo Branco, Soninha e Caio Túlio comentam estratégias de marketing de Dilma Roussef, José Serra e Marina Silva

Lidia Zuin, monitora do site de jornalismo

Responsáveis pela campanha online dos três principais candidatos à presidência contam como exploraram a rede nas eleições presidenciais no Mediaon 2010

Compartilhe:


Ricardo Matsukawa/TerraMarcelo Branco, Heródoto Barbeiro, Soninha e Caio Túlio Costa

Mediada pelo jornalista da CBN e da TV Cultura, Heródoto Barbeiro, a segunda mesa trouxe os coordenadores de internet dos principais candidatos à presidência para discutir um balanço dos resultados de seus trabalhos. Marcelo Branco, diretor geral da Campus Party Brasil de 2008 a 2010, representou a campanha de Dilma Rouseff (PT). Soninha, que já foi vereadora de São Paulo em 2004, trouxe os investimentos de José Serra (PSDB). E Caio Túlio Costa, professor de Ética Jornalística da Faculdade, mostrou os avanços da candidata Marina Silva (PV) na internet.

Branco foi o primeiro a se pronunciar. Ele, que foi responsável pela campanha de Dilma nas redes sociais, aborda a nova legislação. “Antes, entendiam a internet como mais um veículo de comunicação de massa. Estas foram as primeiras eleições com uso da internet como livre espaço de expressão individual”, disse. Branco afirma que as redes sociais representam a qualidade da democracia e que, com a ajuda de apoiadores e eleitores, a campanha foi ganhando novo ritmo. “Foi uma superação para a gente, visto que a base social de Dilma e Lula está desconectada, que são as classes C e D.”

Sobre os apoiadores, Branco se refere a eles como uma “caravana digital”. “Reunimos pessoas de todos os estados para serem motores. Fizemos uma campanha descentralizada e baseada no voluntariado.” Além de terem reunidos centenas de blogueiros e ativistas, a equipe de campanha online da Dilma também fazia streaming ao vivo das principais atividades de campanha, contando também com a cobertura colaborativa via Twitter e Facebook. “Ao fazermos o ‘monitoramento’ da rede, percebemos que nos principais termos e citações no dia 31 de outubro, 73% destes eram relacionados a Dilma. A candidata foi mais comentada que a soma de citações da Marina e do Serra”, afirmou. Segundo Branco, mesmo depois do caso Erenice Guerra, a recém eleita presidente do Brasil continuou com bastantes comentários positivos. “Os temas religiosos não se mostraram de maneira muito relevante. As represálias vieram por e-mail e pelo Orkut, que foi um reflexo atrasado do primeiro”, reforçou.

Branco não deixou de citar, quando fez um levantamento dos pontos altos da campanha, os trending topics no Twitter que mais favoreceram Dilma, como #DilmaFactsbyFolha, #SerraRojas, #BoladePapelFacts, #LulaDay, #DilmaDay e #DilmaPresidentABrasil – além da publicidade feita pela Globo que foi acusada como favorável à candidatura de José Serra, a participação do presidente Lula no Jornal Nacional e a capa da revista Época, em que a imagem escolhida foi uma foto de Dilma durante a ditadura militar.

Na vez de Soninha, representante da campanha online de José Serra, ela já se antecipou dizendo que, apesar de os três convidados estarem na mesma posição, cada um teve um papel diferente.  Soninha, que cuidou apenas do site oficial, conta que começou a trabalhar para Serra a partir de julho. “Foi na base da tentativa e erro, ganhando mais recursos e espaços depois”, contou.

A proposta para o candidato, na internet, foi manter uma equipe própria para esse trabalho e abrir um Ning em que as pessoas pudessem escolher entre quarenta temas para discutir os planos de governo de Serra. Soninha lembra também da criação da Rede Mobiliza, que antes carregava a sigla PSDB no nome. “Ela foi um ambiente de debate de temas diversos, nem sempre focado em pedido de voto. Já foi discutido lá, por exemplo, o veto ao humor.”

Além dessas plataformas, Serra fazia campanha no YouTube e no Vimeo, no Flicker e no Twitter, sendo que neste último, o próprio candidato era quem mantinha o perfil. “Às vezes as assessorias davam dicas, mas Serra relutou em se fazer no Twitter como candidato. Começamos, então, a divulgar mais pelo Orkut e Facebook e fizemos o @rede45 e @45responde também.” Em todos esses espaços abertos ao debate, Soninha conta que houve sempre uma equipe de moderação, responsável por excluir comentários ofensivos.

No começo, Soninha conta que não tinha muita esperança na internet. “Isso tem a ver com o fetiche da campanha do Obama, que não passou de uma arrecadação de recursos – além de que muito do que se fala não é verdade. No Brasil, a gente não acreditava que valesse o investimento. É difícil de achar que as pessoas vão fazer campanha de graça, mas a internet permite isso”, explicou. Fora isso, Soninha ainda complementa dizendo que pensava que a internet não poderia ter tanta influência nas intenções de voto. “As pessoas se influenciam pelos mais próximos. Por exemplo, na escolha de deputado, um parente pergunta para o outro e assim por diante.”

Resumindo, para Soninha, o efeito da internet foi uma surpresa, principalmente porque eles não imaginavam que iriam atingir certa fatia da população, como minorias muito específicas ou pessoas com mais de 60 anos. “Muita gente com perfil que nós não esperávamos deixava recados no mural do site. Antes mandavam e-mails, mas decidimos deixar esse espaço público para as pessoas se conversarem.”

Já o Caio Túlio, professor do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, começou sua apresentação logo afirmando que “sem a internet, não haveria segundo turno.” Responsável pela campanha de Marina Silva na internet, o professor e jornalista disse que pela primeira vez no Brasil um candidato em terceira posição nas pesquisas teve tantos votos. “Nem Brizola conseguiu isso”, completou. Cerca de dez pessoas trabalharam nas mídias sociais pela candidata do PV. Segundo Caio Túlio, ele e mais dois responsáveis se reuniam frequentemente para coordenar a campanha, de maneira a integrar os veículos de divulgação.

O jornalista optou por fazer uma comparação entre Marina Silva e Obama, não necessariamente por características em comum mas também pelas adversas. Enquanto ambos eram candidatos desconhecidos, apenas Obama possuía um partido popular, uma máquina partidária, uma campanha rica (cerca de 197 milhões de dólares), uma população de eleitores acostumados a doações políticas, uma equipe de coordenação de tradição em campanha política e muito tempo para se pronunciar na televisão.

Além disso tudo, o presidente dos Estados Unidos já havia começado sua campanha cerca de dois anos antes das eleições, enquanto Marina teve 242 dias contando a pré-candidatura. “No entanto, Obama não utilizou muito as redes sociais. Nós contamos com doze frentes: blog, Twitter, site, Facebook, Orkut, YouTube, Flickr, social game para crianças, SEO (Search Engine Optmization), SRM (Supplier Register Management), arrecadação online e monitoramento”, conclui Caio Túlio.

Comparada com Dilma, o jornalista indicou em seus slides que para fazer doação às candidatas, somente dois cliques eram necessários para concluir a operação no caso de Marina Silva, contra sete cliques para contribuir com Dilma. “Em 57 dias arrecadamos R$170 mil”, contou Caio Túlio. A respeito do público-alvo nas redes sociais, o professor contou que no Orkut o foco da campanha estava nos evangélicos, enquanto no Facebook eles se voltavam para a classe média e as mulheres e, no Twitter, para as vanguardas.

Questionados sobre a baixaria na internet, que ocorreu durante as últimas eleições, os convidados chegaram ao consenso de que ela já existia antes da rede. “A internet é criminalizada por tudo. A baixaria está nas campanhas: a internet apenas reproduziu o que já acontecia”, disse Branco. Já Soninha opinou dizendo que o desrespeito vai além disso. “Falta racionalidade e há uma perda das convenções sociais. O importante mesmo é não dar aval às baixarias”, argumentou.

Caio Túlio afirmou que seu grupo não quis trabalhar com o ataque. “Íamos contra a incitação ao ódio, o qual estava inclusive minando a saúde do nome dos candidatos na internet. A rede não pode dar elementos para alimentar o AI-5 digital.” Branco também chegou a citar a lei proposta pelo senador Eduardo Azeredo, responsável pelo cibercime e apelidada de AI-5 digital. “Trata-se de um atraso, porque internet não é caso de política”, opinou.

Assim como o assunto da mesa foi polêmico, houve manifestações por parte da platéia, que reagiu ao desconhecimento de Soninha quanto a uma questão formulada a ela. Não suficiente, um tweet publicado no painel do Mediaon, localizado atrás dos palestrantes, fez uma brincadeira dizendo que Branco e Soninha estavam usando tênis vermelho e azul, respectivamente, para representar o PT e o PSDB. A mensagem provocou riso por parte dos espectadores e dos palestrantes pouco antes dos tweets serem vetados.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.