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29/10/2010 - 10h40 - Atualizado em 22/05/2012 - 08h07

Uma sutil história incomum

Por Lia Gurjão, aluna do 1º ano de Jornalismo

Núcleo familiar recebe imenso enfoque em longa com temática GLS

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Reprodução
Elenco do filme

O incrível no cinema vai muito além da imagem de alta definição e som perfeito. O breve silêncio entre o apagar das luzes e o início da exibição revela o quão mágico é esse lugar, principalmente em épocas como a da Mostra Internacional de São Paulo, que consegue reunir pessoas para apreciar cenas, diálogos e músicas, para a extração de mensagens de muitas das obras. Assim foi em Minhas mães e meu pai.

O longa aborda assuntos delicados de uma forma tão natural, que é necessário muita atenção para apreender a sutileza da homossexualidade e compreender a complexidade existente dentro da cabeça de um adolescente em saber quem é seu pai.

Nic, vivida por Anette Benning, e Jules, interpretada por Julianne Moore, formam um casal gay estável. Juntas têm dois filhos, Joni, papel de Mia Wasikowska, e Laser, encarnado por Josh Hutcherson, dois adolescentes que tratam a homossexualidade das mães de forma natural. A estabilidade da relação de Nic e Jules começa a se abalar com o desejo de Laser de conhecer o pai biológico, ou, mais especificamente, o homem que doou sêmen às suas mães 18 anos atrás.

Paul, personagem de Mark Ruffalo, aceita prontamente conhecer os jovens e começa a se relacionar não só com os filhos, mas com Nic e Jules. Este é o início de uma história engraçada, entretanto conflituosa.

Concomitante ao carinho que cresce em relação à Joni e Laser, Paul apaixona-se por Jules e desentende-se constantemente com Nic; momento em que a homossexualidade da primeira é questionada, além de seu amor por Nic e a credibilidade do casamento de quase vinte anos.

A trama em si é simples, sem segredos ou suspenses. O que faz do filme peculiar e digno do título de queridinho do Festival de cinema de Berlim é a sutileza com que a diretora americana Lisa Cholodenko discute não só a questão da homossexualidade, mas também o tratamento das mães aos filhos e da relação de ambas com a instituição “casamento”.

Há, entretanto, questionamentos que não saem da cabeça após o término da sessão, como por exemplo: qual a relação de Paul e os filhos no futuro? Não obstante, são gafes que não comprometem a densidade do filme e as incríveis interpretações, principalmente de Julianne Moore, que concede à sua Jules características incríveis de uma “homossexual quarentona”, que não tem medo de ter dúvidas sobre a vida.



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