O ator Diego Luna estreia como diretor de ficção, contando história de garoto com problemas psiquiátricos
Há diversos filmes sobre insanidade na história do cinema. Existem muitos na seção de comédia, vários dramáticos e há títulos em que a personagem principal sofre ou apresenta sinais de algum distúrbio mental. A diferença entre eles e Abel - filme integrante da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - está na delicadeza.
Depois de dois anos internado em uma instituição psiquiátrica, o garoto Abel, interpretado pelo pequeno Christopher Ruíz-Esparza, é buscado pela mãe para ficar durante uma semana sob observação em casa antes de ser - ou não - transferido para um hospital especializado na Cidade do México.
De volta ao lar, o menino pouco fala e não consegue dormir sem medicação. Depois de uma noite em frente à TV e de olhar fotos do pai que os deixou, ele começa a fantasiar que é a figura paterna que os abandonou. Cecília, a mãe do garoto e interpretada por Karina Gidi, teme perder o filho novamente e se envolve na paranóia, assim como seus filhos, irmãos do protagonista.
Essa repentina mudança do garoto gera diversos momentos cômicos, pois ao tomar o lugar de “pai”, Abel se torna um pequeno homem autoritário e severo. Verifica as lições da irmã mais velha, interroga namorados e dá ordens à mãe. Tudo anda aparentemente bem, até que o pai das crianças volta para casa, dizendo sentir falta da família, mas com real pretexto de vender o terreno em que moram.
Ao encontrar o filho naquele estado, Anselmo, papel de José María Yazpik, sente pena e faz de tudo para que o menino seja internado. Nesse momento a história começa realmente e entendemos o porquê dos problemas do garoto e família.
Esse é o primeiro filme de ficção dirigido pelo ator Diego Luna, de E Sua Mãe Também e Milk. Apesar de não ser um dos principais filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, conseguiu chamar a atenção pública para as suas poucas - e lotadas - sessões.
O universo infantil do filme é muito bem trabalhado, assim como a banalização do universo adulto. Abel e Paúl, irmãos no filme e vida real, são os pontos fortes do longa, pela naturalidade de suas interpretações. Já os adultos são caricatos e pífios. Essa diferença explicita a real intenção do diretor: questionar em que pessoas os problemas se concentram. Abel é uma obra delicada e necessária, que tem tudo para agradar pais e filhos.
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