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29/10/2010 - 10h50 - Atualizado em 18/05/2012 - 09h29

Quando a insanidade encontra a inocência

Por Ana Júlia Castilho, aluna do 3º ano de Jornalismo

O ator Diego Luna estreia como diretor de ficção, contando história de garoto com problemas psiquiátricos

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Reprodução
Elenco reunido

Há diversos filmes sobre insanidade na história do cinema. Existem muitos na seção de comédia, vários dramáticos e há títulos em que a personagem principal sofre ou apresenta sinais de algum distúrbio mental. A diferença entre eles e Abel - filme integrante da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - está na delicadeza.

Depois de dois anos internado em uma instituição psiquiátrica, o garoto Abel, interpretado pelo pequeno Christopher Ruíz-Esparza, é buscado pela mãe para ficar durante uma semana sob observação em casa antes de ser - ou não - transferido para um hospital especializado na Cidade do México.

De volta ao lar, o menino pouco fala e não consegue dormir sem medicação. Depois de uma noite em frente à TV e de olhar fotos do pai que os deixou, ele começa a fantasiar que é a figura paterna que os abandonou. Cecília, a mãe do garoto e interpretada por Karina Gidi, teme perder o filho novamente e se envolve na paranóia, assim como seus filhos, irmãos do protagonista.

Essa repentina mudança do garoto gera diversos momentos cômicos, pois ao tomar o lugar de “pai”, Abel se torna um pequeno homem autoritário e severo. Verifica as lições da irmã mais velha, interroga namorados e dá ordens à mãe. Tudo anda aparentemente bem, até que o pai das crianças volta para casa, dizendo sentir falta da família, mas com real pretexto de vender o terreno em que moram.

Ao encontrar o filho naquele estado, Anselmo, papel de José María Yazpik, sente pena e faz de tudo para que o menino seja internado. Nesse momento a história começa realmente e entendemos o porquê dos problemas do garoto e família.

Esse é o primeiro filme de ficção dirigido pelo ator Diego Luna, de E Sua Mãe Também e Milk. Apesar de não ser um dos principais filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, conseguiu chamar a atenção pública para as suas poucas - e lotadas - sessões.

O universo infantil do filme é muito bem trabalhado, assim como a banalização do universo adulto. Abel e Paúl, irmãos no filme e vida real, são os pontos fortes do longa, pela naturalidade de suas interpretações. Já os adultos são caricatos e pífios. Essa diferença explicita a real intenção do diretor: questionar em que pessoas os  problemas se concentram. Abel é uma obra delicada e necessária, que tem tudo para agradar pais e filhos.



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