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28/10/2010 - 13h52 - Atualizado em 20/05/2012 - 04h17

Crítica bem-humorada à indústria armamentista

Por Francisco Izzo, aluno do 3º ano de Rádio e Televisão

Conjunto de personagens carismáticas é o trunfo da comédia de Jean-Pierre Jeunet

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Reprodução
Cartaz do filme

Há algo peculiar no senso de humor francês, embora não seja refinado e tão pouco tenha a força do inglês, porque geralmente os franceses possuem um ‘quê’ diferente na hora de fazer comédias. No caso de MicMacs - Um Plano Complicado, esse diferencial são as caricatas, porém carismáticas personagens, situações incomuns retratadas e atmosfera circense que dá leveza ao filme.

No longa vemos o protagonista Bazil, vivido por Dany Boon ter sua vida arruinada pela indústria bélica por duas vezes. Primeiro, após seu pai ter sido morto por uma mina terrestre, e após receber um tiro na cabeça e ter a bala alojada no cérebro. O seu acidente com a munição, faz com que seja acolhido por um grupo de excêntricos moradores de um ferro velho, cada um com uma peculiaridade e que se tratam como uma família. Após entrar para o grupo, Bazil decide, com a ajuda de seus novos amigos, se vingar simultaneamente do dono da empresa que fabricou a mina onde seu pai faleceu e que produziu a bala que o atingiu. Culminando em uma grande sátira contra a indústria armamentista.

O bom humor do filme ataca por todos os lados, aparecendo de forma irônica, quando médicos decidem no cara ou coroa a maneira que farão uma operação, chegando à comédia pastelão, no momento em que são executados os planos de vingança.

O jeito caricato dos dois vilões e a limitação dos colegas de Bazil, - devido à semelhança nas características - poderiam enfraquecer o filme, mas o tornam mais divertido, mostrando que o diretor Jean-Pierre Jeunet (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) não buscava complexidade, mas sim personagens capazes de gerar situações engraçadas. A montagem da obra é ágil e somada a boa fotografia e direção de arte teatral - com vários elementos circenses - remete ao surreal, permitindo que nos desvencilhemos da realidade.

Todos esses elementos agregados à direção de Jeunet tornam o filme leve, divertido e caricato, ao mesmo tempo em que é crítico e irônico. O longa está em cartaz na 34ª Mostra de Cinema e ainda pode ser conferido no dia 1º de novembro no Espaço Unibanco Pompeia.



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