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25/10/2010 - 17h24 - Atualizado em 22/05/2012 - 05h42

O padrão jornalístico

Ayana Trad, 2º ano de jornalismo

Debate sobre o documentário O Abraço Corporativo encerrou o Fórum de Jornalismo 2010 levantando questões sobre a publicação de notícias irrelevantes

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Guilherme Corbo
O Abraço Coorporativo, de Ricardo Kauffman (foto), foi
criado para criticar a grande quantidade de assuntos
irrelevantes que a imprensa tem costume de publicar

O último evento do Fórum de Jornalismo 2010, que aconteceu no dia 22 de outubro, contou com a exibição de O Abraço Corporativo, de Ricardo Kauffman. Ao fim do documentário, os participantes contaram com uma mesa composta pelo diretor da obra, os professores da Cásper Caio Tulio Costa e Igor Fuser, além de Edson Rossi, diretor de redação da revista VIP. Foram discutidos os questionamentos levantados pelo filme.

Ricardo Kauffman explicou que a ideia do longa veio do incômodo de perceber que o contexto mecânico da produção da notícia permite que muitos assuntos irrelevantes sejam publicados. E isso é um dado que fragiliza a situação do repórter. O diretor apontou que o crescimento exponencial de espaço para se publicar fez com que o numero de matérias baseadas somente no depoimento de personagens aumentasse muito, pondo a prática jornalística em risco. “O intuito do filme é abrir o debate sobre os filtros nas redações. O que a comunidade deve esperar do jornalismo? Como as pessoas devem consumir as noticias? Apenas a concorrência comercial deve participar da seleção de pautas?”, incita Kaufmann.

O jornalista Edson Rossi admitiu que o forte das redações nunca foi o filtro de seleção de matérias. “O modelo industrial de produção da informação não ajuda com o processo de apuração. Muitas coisas ficam ‘no ar’”, explica. Rossi ainda afirmou que, na mídia atual, principalmente nas novas mídias, é normal que “lixo” seja publicado: a velocidade faz com que o processo seletivo de pauta míngue.

O professor de ética, Caio Túlio Costa, fez duras críticas ao jornalismo e se posicionou de maneira negativa em relação ao futuro da profissão. Segundo Costa, os erros de informações não vão acabar por isso: eles só podem ser entendidos. “O filme faz parte do tipo de jornalismo que ele próprio critica. Ele é esquizofrênico porque revela erros jornalísticos e nos atenta a eles. Mas não sejamos inocentes: vamos continuar fazendo jornalismo do mesmo jeito, mesmo em fase de turbulência”, expõe o professor, que vai além: “usamos a técnica da mentira no jornalismo. Não existe matéria de uso de algum recurso moralmente contestável. Isso está no DNA da profissão. Afinal, se você não publicar, alguém vai.”

A noite terminou com a fala do professor e jornalista, Igor Fuser. “A exploração dos jornalistas é vigente. Os repórteres trabalham mais que as leis trabalhistas do Brasil permitem. A criticidade do profissional começa a ser esmagada no momento em que ele começa a abrir mão de seus direito básicos”, analisou Fuser. O discente acrescentou uma discussão importante à mesa, que transcendeu os questionamentos feitos pelo filme: o rebaixamento dos padrões de seleção de pauta é uniforme? O próprio Fuser respondeu que não. Para ele, o rebaixamento é seletivo: em alguns casos, os filtros somem, em outros eles são triplicados. Está ai, uma boa idéia para um novo filme de Ricardo Kauffman.  



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