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22/10/2010 - 18h08 - Atualizado em 22/05/2012 - 05h12

Caco Barcellos e equipe ministram palestra para alunos da Cásper

Luana Fagundes, 2º ano de jornalismo

O jornalista responsável pelo programa Profissão Repórter, da Rede Globo, respondeu às perguntas feitas por estudantes de jornalismo e demais cursos

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Guilherme Corbo
Caco Barcellos respondeu às perguntas feitas
pelos alunos, acompanhado de três integrantes
do programa Profissão Repórter, Caio Cavechini,
Thais Itaqui e Thiago Jock

Na manhã da sexta-feira, 22 de outubro, a Cásper promoveu um encontro dos alunos de jornalismo com Caco Barcellos, jornalista responsável pelo programa Profissão Repórter, da Rede Globo. A palestra contou também com a participação dos repórteres Thais Itaqui, Caio Cavechini e Thiago Jock, que integram a equipe da atração semanal, além do professor Carlos Costa, que mediou os debates.

Caco Barcellos falou sobre o critério de escolha das pautas que vão ao ar. De acordo com o jornalista, a equipe dá prioridade para a abordagem do tema, que deve ser diferente daquela produzida por outro veículo. “A pergunta é: ‘Como contaremos uma história que todo mundo já contou, de maneira a acrescentar conteúdo para a vida do telespectador?’”, explica.

O repórter Caio Cavechini acrescentou que é preciso avaliar com cautela o papel do editor no processo de narração do fato. “Às vezes o repórter sai da redação tendo em mente o que quer ouvir da fonte. O trabalho de edição tem de estar, antes de tudo, vinculado àquilo que o jornalista viu com os próprios olhos”, conta.

Durante a discussão, a equipe destaca o modo de apuração presencial do programa, que, segundo Caio, “valoriza a espontaneidade e o material ‘cru’”, colhido diretamente do local que se pretende falar a respeito. “Ao invés de pedir ao entrevistado que nos conte algo, pedimos que ele nos mostre o que queremos”, enfatiza Barcellos.

Após a exibição de alguns trechos de reportagens produzidas pelos repórteres, foi a vez de Thiago Jock falar sobre a relação jornalista-fonte. O debate se pautou pela questão da ética e do respeito à privacidade quando o assunto é a filmagem de personagens em práticas ilícitas. “É preciso conquistar a confiança do entrevistado, saber até onde se pode ir e também manter distanciamento”, comenta Thiago.

Situações como essa podem surgir em um ambiente de risco, como aconteceu com Caco Barcellos na região da Cracolândia, centro de São Paulo, em 2009. A equipe de cinegrafistas registrou as agressões de usuários de drogas ao carro da emissora. Sobre os perigos que envolvem a prática jornalística, Barcellos é categórico. “Se ocorre um conflito em algum lugar, nós não abrimos mão de contar a história. Não nos colocamos na frente do risco, mas também não fugimos dele”, pontua.   

Para Thais Itaqui, tal qual o distanciamento necessário a uma reportagem, se envolver emocionalmente em uma produção jornalística também é importante e, às vezes, inevitável. “Ela faz a matéria e depois procura ajudar de alguma forma”, diz Barcellos, sobre a repórter. “Foi muito difícil quando tive de entrevistar uma menina de 11 anos que sofria abuso sexual do padrasto há dois e estava grávida”, relata Thais. De acordo com ela, após concluir a pauta, a equipe concordou em abrir uma conta para a garota, a fim de que o dinheiro ajudasse nas despesas.

Quando perguntado se o formato do programa privilegia o jornalista em detrimento da notícia, Caco Barcellos afirma que o “Profissão Repórter” conta “histórias de personagens protagonistas de uma determinada notícia. O repórter pode se envolver com a situação, mas o foco é a narrativa”.  E diferencia programas de teor mais popular da atração investigativa que comanda. “Apresentadores de programas conhecidos emitem juízo de valor. Nós não fazemos isso”, finaliza.      



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