A fórmula mágica para ficar bem é simples – “escreva sobre amor, em qualquer tempo verbal”. Basta fazer sentido. Nesse contexto que se desenvolvem as onze faixas do disco Write About Love – a busca por escapatórias para enfadonhas situações enfrentadas diariamente. Após o último lançamento, The Life Persuit, de 2006, a banda Belle & Sebastian mantém a linha do cd anterior.
Um clima mais pessimista figurava nas músicas dos álbuns mais antigos da banda, como Tigermilk (1996) e If you’re feeling sinister (1999), quando Isobel Campbell ainda integrava o grupo. Esta ambientação não abandona por completo o novo disco, mas é deixada de lado para dar espaço à letras e melodias mais animadas. A escolha dos instrumentos mais representativos em cada canção tem a intenção de propiciar uma sensação de bom humor e otimismo. Aspecto evidenciado logo na primeira faixa, escrita e interpretada por Sarah Martin, I didn’t see it coming – apesar dos problemas, a letra diz “nós não precisamos de uma vida inteira, estamos seguindo a linha certa”. Esta música e a quarta faixa do disco, I want the world to stop, integram um vídeo de divulgação disponibilizado no site oficial e organizado pela distribuidora. Além da apresentação das duas canções, inclui algumas entrevistas – um pequeno filme.
A banda não deixou a desejar no projeto de divulgação. Antes mesmo do lançamento, pediram aos fãs que seguissem o exemplo da primeira possível capa do disco – fotografar cenas do cotidiano inspiradas pelo tema do cd. As melhores fotografias fazem parte do vídeo exposto.
Produzido por Tony Hoffer, responsável também pelo álbum anterior, o trabalho tem participação de figuras bastante conhecidas. Uma delas é a atriz britânica Carey Mulligan, que divide os vocais com o vocalista Stuart Murdoch na faixa que dá nome ao disco. A outra participação é reconhecível logo nos primeiros segundos da música Little Lou, Ugly Jack, Prophet John. Apesar da distinção de estilos, a cantora norte-americana Norah Jones realizou ótimo dueto com o vocal da banda. Para fãs mais exigentes, Read the blessed pages, Calculating bimbo e Sunday’s pretty icons - que fecha o disco com a participação de Mick Cooke na composição - remetem às obras mais antigas, por possuírem temas e levadas mais tristes.
O grupo mudou em alguns aspectos, mas obteve bom resultado ao manter o estilo indie pop e mesclar as composições. A maioria delas é de Stuart Murdoch, com exceção de duas faixas compostas e interpretadas por Sarah Martin e da animada I’m not living in the real world, escrita e cantada por Stevie Jackson. Quem acompanha a banda há bastante tempo pode não se satisfazer ao conferir o álbum pela primeira vez. Mas vale oferecer outras chances.
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