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08/10/2010 - 11h16 - Atualizado em 21/05/2012 - 19h25

Um sonhador mais famoso que Jesus Cristo

Por Lia Gurjão, aluna do 1º ano de Jornalismo

Mesmo depois de sua morte, o beatle John Lennon se mantém atual, seja pela música ou por suas ideias

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Reprodução
Yoko Ono e John Lennon

Se Mark David Champman não disparasse seu revólver, se não tivesse errado a mira, nem parado em frente ao edifício Dakota e se não houvesse idolatrado tanto um homem de frases impactantes e gestos polêmicos... Se nada disso tivesse acontecido no dia 8 de dezembro de 1980, John Winston Lennon completaria 70 anos no dia 9 desse mês.

Em apenas 20 anos – de 1960, entrando na esfera musical com sua banda mundialmente famosa, a 1980, quando foi assassinado por Champman – Lennon abandonou o posto de humano e tornou-se mito. Um ídolo que desafiou não só a música em si, mas a paz mundial, o presidente Nixon e até Jesus Cristo.

A biografia veiculada mundialmente é simples. Inglês, filho único, com nomes em homenagem ao avô paterno John e ao ministro britânico Winston Churchill. Em 1956 fundou um grupo chamado The Quarrymen, em homenagem à escola que frequentara em Liverpool. Aceito na Livepool College of Art, conheceu sua primeira mulher, Cynthia Powell, e Stuart Stutcliffe, convidado a integrar sua banda no contrabaixo.

Inicialmente o interesse musical de Lennon era por skiffe, o qual usava uma tábua de passar roupa para dar ritmo às músicas. Entretanto, dois anos após a formação de sua primeira banda, John já se deixou levar pelo rock and roll. Em 1958, o conjunto já era formado por John, Paul, Harrinson e Stu. E, em 1960, era simplesmente The Beatles.

Yoko Ono entrou em sua vida em 1966. No mesmo ano, concedeu uma das declarações mais polêmicas de sua vida, entrando em conflito não só com a opinião pública, mas com a igreja católica: “O Cristianismo vai desaparecer. Diminuir e encolher. Nós, Beatles, somos mais populares do que Jesus neste momento. Não sei qual vai desaparecer primeiro - o rock and roll ou o Cristianismo. Cristo não era mau, mas os seus discípulos eram obtusos e vulgares. É a distorção deles, que estraga o Cristianismo para mim”. O Vaticano perdoou o beatle apenas em 2008.

Foi junto de Yoko que John tounou-se um ativista militar, após dois Bed-in for peace e da gravação de Give a Peace Chance, em 1969. Este foi apenas o primeiro passo para a guerra que travou com o Presidente Nixon em 1972, criticando abertamente a guerra no Vietnã. O governante tentou deportá-lo e o FBI investigou a vida de Lennon por muito tempo. O impasse entre os dois durou cinco anos e só se encerrou com o escândalo de Watergate, que divulgou denúncias contra o governo de Nixon. 

O mito John não nasceu com sua morte, como grande parte dos mártires mundiais que têm o falecimento como passagem da idolatria ao misticismo. Nasceu mítico quando resolveu ser inovador: por tocar uma música diferente, por vestir-se de uma forma excêntrica, por falar coisas que um cidadão comum até gostaria de dizer, mas lhe faltava coragem.

Hoje há uma estátua em bronze de Lennon em Havana. Até Fidel Castro, que só permitiu músicas dos Beatles na ilha em 1990, homenageou o mito John e concedeu a ele um lugar imortal e imutável, em um simples banco de Cuba.



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