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08/10/2010 - 12h33 - Atualizado em 22/05/2012 - 05h37

Regina Spektor: além das aparências

Por Helena Dutt-Ross, aluna do 1º ano de Jornalismo

De musa indie a querida do público, a cantora mostra seu estilo único em festival

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Reprodução

Conhecido também por ações sustentáveis, o SWU Music & Arts Festival terá início nesse sábado, dia 9 de outubro, trazendo alguns dos shows mais esperados do ano. Algumas das atrações, divididas ao longo de três dias, incluem Linkin Park, Kings of Leon, Pixies e, é claro, Regina Spektor.

Ex-musa indie que recentemente adentrou ao mainstream - sua música Fidelity foi tema da novela A Favorita, já Us e Hero of the Story integraram a trilha sonora do filme 500 Dias Com Ela -, Regina Spektor nasceu em Moscou, na Rússia, em 1980. Aos oito anos, fugiu com os pais para os Estados Unidos, deixando para trás não apenas sua casa e amigos, mas também seu objeto mais querido: o piano.
 
Só voltou a tocar anos depois, no subsolo de uma sinagoga no Bronx. Dadas suas mais variadas influências - ela cita principalmente The Beatles, Billie Holliday, Tom Waits e Chopin - não é surpresa que sua música beire o indefinível. Algumas de suas canções lembram ao jazz (Lady), country (Love, You’re a Whore), pop (Fidelity) e mesmo ao rock (That Time). Às vezes, faz longos arpeggios em piano com a habilidade de uma musicista clássica (Genious Next Door); outras, letras divertidas e despretensiosas inteiramente acapella (Reginassaurus). Algumas parecem ter um estilo inteiramente próprio, como Your Honor, que começa como uma típica guitarra de punk, mas acompanhada da poderosa voz feminina de Regina. Em seguida, a guitarra para, entra o piano e a voz da cantora, agora muito mais doce, sussurra palavras de conforto. Mais dez segundos e tudo começa de novo.
              
Em entrevista, Regina Spektor declarou já ter composto mais de 700 canções, embora raramente as escreva. Elas simplesmente “fluem por sua cabeça”. Mais do que criar um estilo próprio, sua preocupação é que cada música tenha um estilo em si. Há, entretanto, elementos recorrentes em várias canções:,às vezes, as letras se assemelham a contos, sendo a misteriosa Mary Ann e os “coveiros” as personagens mais freqüentes.

Uma das melhores partes de ouvir Spektor é tentar compreender estas suas ”histórias musicadas”. Parecem trechos de sonhos ou contos de fada modernos. Flertam com a religião, sexualidade, morte e amor. E também, é claro, com o riso: no meio de uma canção sobre a sereia que vende seu rabo por um bilhete de trem e um pouco de cocaína, vem o inesperado verso: ‘Eu achei uma plantinha/ (...) Adotei-a/ Transplantei-a/ E a chamei de... Mozart’. (Mermaid).

Talentosa e inovadora, Spektor promete ser uma das melhores atrações de todo o festival. Quem não a conhecer pode, inicialmente, não levar a sério a mulher que, às vezes, canta de olhos fechados como se cada palavra lhe doesse; e outras, de tão tímida, ri e esquece as próprias partituras. Mas lembre-se: como suas letras, Regina Spektor é mais do que aparenta.



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