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07/10/2010 - 17h03 - Atualizado em 22/05/2012 - 00h51

Maria Rita Kehl é demitida após repercussão de artigo

“Dois pesos...” causou grande movimento nas mídias sociais por conta de suas opiniões sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres

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Damião A. Francisco
Segundo o diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S.Paulo,
Maria Rita não foi demitida: foi revezamento de colunistas

Quatro dias após a publicação do artigo “Dois pesos...”, no jornal O Estado de S. Paulo, foi o tempo para a psicanalista Maria Rita Kehl receber a notícia de sua demissão. Segundo ela, o argumento utilizado foi que a repercussão do texto, no âmbito da internet, deu-se de maneira intolerável.

Em entrevista ao Terra, Maria Rita justificou que sua matéria sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres teria provocado tanto manifestações de repúdio quanto de aprovação. “Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável”, explica.

A sensação que ficou para Maria Rita é de controvérsia: um jornal que reclama a censura imposta pelo governo acabou por calar a opinião de uma colunista. No entanto, ela não acredita que o Estado realmente esteja oprimindo a imprensa. “Acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa”, diz.


Posição do jornal

Ainda em entrevista para o Terra, o diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S.Paulo, Ricardo Gandour, explicou que a psicanalista Maria Rita não teria sido demitida. “Colunistas se revezam, cumprem ciclos”, afirmou logo no começo da conversa. De acordo com sua declaração, já havia discussões sobre novos rumos que a coluna deveria tomar. O vazamento na internet teria apenas precipitado a decisão. “Não houve censura. Tanto que a coluna saiu integralmente”.

Segundo Gandour, o espaço da coluna reservada a Maria Rita era para ser direcionado em torno da psicanálise, “um divã para os leitores”. No entanto, o diretor indica que o uso daquele espaço estava tendo outro enfoque. “Frequentemente conversávamos sobre isso”, acrescenta lembrando que a psicanalista já teria debatido com a editora do caderno C2 + Música na terça-feira passada, dia 28. “O momento é delicado, crítico, de eleições, mas abriu-se um diálogo que vazou e nós mantivemos a linha. O fenômeno da rede social é que uma conversa entre três pessoas passou a acontecer entre 3 mil pessoas, mas a verdade sobre esse fato é esta”, finaliza Gandour ao insistir que o motivo da saída de Maria Rita é ter distorcido a sua função na coluna, além da própria renovação de colunistas.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

 



Comentários Comentários Postados
maria lucia gervino[08/10/2010 - 15:01]

os textos dela sempre foram otimos. não apenas este é uma pena não ter, mais o espaço para le-la. opiniões oportunas e ricas, jogadas pelo não espaço dado a Maria Rita.

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