“Comer, rezar, amar” fala da busca de uma mulher pelas coisas mais importantes da vida, na Itália, Índia e Indonésia
Entra em cartaz o filme produzido por Brad Pitt, baseado no best-seller homônimo e autobiográfico de Elizabeth Gilbert, Comer, Rezar, Amar. Dirigido por Ryan Murphy, o longa conta a história de uma escritora nova iorquina, repórter de um caderno de viagens, que resolve largar a carreira, o decadente casamento e a expectativa de tornar-se mãe e sair pelo mundo durante um ano sabático para curar-se da depressão e apaixonar-se novamente pela vida.
Murphy aposta em Julia Roberts, que não fazia o papel principal em um filme desde Um Segredo Entre Nós, em 2008. A atriz que já havia trabalhado com o diretor em uma de suas obras de maior sucesso, Uma Linda Mulher, mostra que não perdeu o jeito. O cineasta acertou também ao incluir Liz Gilbert na montagem, desde seu início. Somando-se esta parceria a um roteiro que segue o livro ao pé da letra, a película não deixa a desejar aos amantes de sua versão impressa em papel. Por sinal, é exatamente essa identificação provocada no público que fez do livro – e certamente fará do filme – um sucesso. Isso, é claro, para não mencionar que a história abriga dois gêneros bem populares: o romance e a auto-ajuda.
O galã do filme, Javier Bardem, interpreta o brasileiro Felipe, por quem Elizabeth se apaixona – e com quem eventualmente se casa. Querendo fazer charme, o ator, que já esteve algumas vezes no Brasil, arrisca frases em português, que estão em seu roteiro - mas que não se parecem em nada com nossa língua materna. Muito pelo contrário: a estranheza causada pela pronúncia do ator leva as plateias brasileiras às gargalhadas.
A fotografia do filme é belíssima, ajudada pelas paisagens pitorescas da Índia, riquezas naturais de Bali e talento de Robert Richardson, que ganhou o Oscar por O Aviador. A trilha sonora de Dario Marianelli também merece elogios, com a música Better Days, de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, composta exclusivamente para o filme. Também constam no álbum os hits de Marvin Gaye e Neil Young, além da bossa nova de Bebel e João Gilberto.
Se por um lado o filme tem tudo para cair no gosto do brasileiro e já faz sucesso nos Estados Unidos, por outro, recebeu críticas ferrenhas na Itália - primeira parada de Liz em sua viagem, país onde se dedica exclusivamente aos prazeres da mesa. A imprensa local comenta - e desaprova - estereótipos do filme como a figura da mamma dominadora e do típico rapaz que joga seu charme e seduz todas as mocinhas. Italianos também se sentiram imensamente incomodados com a associação da população ao lema “dolce far niente”, isto é, o doce prazer que encontram em não fazer absolutamente nada.
Ao que parece, o cinema americano ainda está preso à imagem ultrapassada da Itália dos anos 50 e não consegue fugir dos eternos clichês: gelatto, belos rapazes, uma gesticulação sem fim quando se fala em italiano, as ruas sempre cheias e a mesa farta. Comer, Rezar, Amar oferece esse menu, que varia desde a culinária do país até o retorno de uma grande estrela de Hollywood às telonas.
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