Os quadrinhos idealizados por Charles M. Schulz comemoram 60 anos

Basta folhear as páginas de um jornal atual para se deparar com as tirinhas de Charles M. Schulz, colocadas entre quadrinhos de outros autores. A série Peanuts, criada pelo norte-americano em 1950 comemora 60 anos em 2 de outubro. O autor faleceu em 2000, mesmo ano de publicação da última tirinha. Mas as personagens criadas por ele continuaram aparecendo nos jornais, livros reunindo as publicações e até mesmo produtos estampados com o rosto de Charlie Brown, Snoopy e companhia.
Antecederam o sucesso, situações que serviram de fio condutor para muitos dos assuntos abordados nos quadrinhos. Schulz observou de perto os efeitos da Grande Depressão em 1920, nos EUA, durante sua infância. Passou a adolescência quase invisível – estava longe de tornar-se um aluno brilhante. Aos 20 anos, prestou serviços ao exército, ao ser convocado para a Segunda Guerra Mundial. Após ser dispensado em 1946, publicou o primeiro projeto no jornal St. Paul Pioneer Press, denominado Li’l Folks, em 1948. Esboçava-se ali o início de uma longa carreira como quadrinista.
Em 1950, um de seus projetos apresentados à United Feature Syndicate (em Nova York) foi publicado em seis jornais. Intitulado Peanuts – ideia pouco aceita por Schulz a princípio – Charlie Brown e seus amigos conquistaram o público rapidamente. Em meio a uma sociedade norte-americana que celebrava o otimismo, o autor apresentava personagens melancólicos e pouco partidários da alegria e conservadorismo dominantes no país. Entre situações engraçadas, Lucy, Linus e as outras crianças criadas pelo quadrinista eram colocadas em momentos repletos de sarcasmo, e exaltando as dificuldades das relações sociais. Basta observar Schroeder - uma criança que se indigna perante a falta de conhecimento dos amigos sobre música clássica.
Tamanha expressividade alcançou outros meios. Peanuts foi adaptado para a TV e teatro – inclusive como musical. Dessa forma, espalhou-se pelo mundo. No Brasil, as tirinhas chegaram em 1962 pela editora Ebal. Recebeu o nome Minduim, com tradução assinada pelo cartunista Ziraldo. Para comemorar os 60 anos desde o lançamento da série, várias marcas se mobilizaram. Além das já famigeradas miniaturas, a marca de roupas Lacoste preparou uma coleção especial com as personagens principais. Os cadernos Moleskine fizeram uma edição comemorativa. Em território nacional, a Editora L&PM lança no mercado compilações com a íntegra da obra, no mesmo modelo da coleção americana: reunindo tirinhas publicadas de dois em dois anos. O terceiro volume traduzido foi lançado recentemente.
Independente do incontável número de fãs, é difícil encontrar uma pessoa que não se identifique com momentos vividos pelas personagens. Dispensando assistentes, Charles M. Schulz foi responsável pela criação de 17. 897 tiras. E as palavras da última tirinha publicada reforçam a satisfação do autor pelo trabalho: “Caros amigos, fui um afortunado (...) Peanuts é a realização de uma ambição de infância”. Ele concretizou um sonho. E nesse processo, embora não fosse a intenção inicial, cativou pessoas por todas as partes do mundo.
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