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29/09/2010 - 11h44 - Atualizado em 21/05/2012 - 07h55

Um clássico alternativo

Por Gabriel de Almeida Moraes, aluno do 1º ano de Jornalismo

"Trainspotting" foi lançado em 1996, mas continua atual e atraindo milhões de fãs

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Reprodução
O ator Ewan McGregor em cena do filme

Jovens escoceses viciados em heroína, um fã de James Bond e um homem que só quer saber de pancadaria são algumas personagens que fazem o filme Trainspotting uma das melhores obras alternativas já realizadas.

Dirigido por Danny Boyle e baseado no livro de Irwin Welsh, trata do cotidiano de um grupo de junkies, liderado por Mark Renton (Ewan McGregor). Mostrando a sua vida girando em torno de como conseguir heroína, como utilizá-la e depois como largá-la, ele é o narrador da história. O jovem anda sempre acompanhado de seus amigos: Sick Boy, fã de James Bond e conta as suas impressões sobre os filmes durante suas ”viagens”, Begbie, extremamente violento e é o único do grupo que não usa heroína e Tommy, que não usava a droga até a namorada o largar.

O filme lançado em 1996 foi um fenômeno de bilheteria, arrecadando cerca de U$72 milhões em todo o mundo. Até hoje em dia é considerado indispensável para quem se considera cult.

Em Transpotting vemos uma alternância entre o engraçado e o trágico. Uma das melhores cenas cômicas é, por exemplo, quando Renton, após tentar largar a heroína, compra supositórios de ópio. Após o uso, sente uma forte vontade de ir ao banheiro, então para no primeiro bar que vê e entra. “Eu sonho com um banheiro enorme e imaculado, torneiras de ouro reluzente, privada de um branco virginal e o tampo de ébano e uma descarga cheia de Chanel n° 5, porém, no meu estado, qualquer banheiro serve”, diz. Dentro da cabine, percebe que não era como sonhava. Uma privada completamente suja, sem papel e descarga. Após o uso, Mark percebe que o supositório não fez o efeito e provavelmente não o digeriu, então põe a mão dentro do vaso e, em uma cena surreal, começa a nadar na privada imunda para procurar o supositório, e o encontra.

Já a cena de um teor mais trágico e sério acontece quando o bebê de uma das junkies que viviam em sua casa morre pela falta de cuidados da mãe, sempre drogada. “Mas os bons tempos não duram para sempre. Acho que Alison gritou o dia inteiro, mas eu não tinha percebido. Na verdade, nada ficaria bem. O bebê não era meu, não era minha filha. Dawn não era minha filha. Eu queria dizer algo, algo confortante, humano, mas a única coisa que consegui dizer foi ‘Vou preparar um Baque’”.

O ponto forte do filme é que, em nenhum momento, ele descrimina o uso de drogas. É claro em afirmar que drogas não são ruins, já que são estimulantes e dão uma boa sensação, mesmo que o efeito colateral seja arrasador chegando a levar a morte. Este ponto é resumido por uma frase de Renton ao longo do filme: “Drogas são ótimas. Até por que, se fosse ruim, não tomaríamos, pois não somos burros. Bem, pelo menos não tão burros”. Não há uma opinião formada sobre o uso de drogas. O longa lida com os dois lados da moeda, o que é, sem dúvidas, uma reflexão que pode ser feita por cada um dos espectadores.

Transpotting é uma crítica à sociedade que não oferece nenhuma perspectiva positiva aos jovens e ao escapismo dessa geração que recorre cada vez mais às drogas e ao álcool. É um filme que continua atual, pois problemas como os vícios e falta de oportunidade para os jovens ainda existem.



Comentários Comentários Postados
daniel[17/02/2011 - 17:00]

é, com certeza, o melhor filme que já vi.

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