Cantora e estudante de Jornalismo, Rhaissa Bittar, lança "Voilá", o seu primeiro álbum, e fala sobre como é usar a internet para divulgar seu trabalho

Encarar o cotidiano de forma divertida e quase teatral é o mote das músicas de Rhaissa Bittar. O seu disco de estreia, Voilá, dá apenas uma mostra da habilidade da jovem em contar histórias. Como tal, ela escolheu entrar no mundo do Jornalismo ao mesmo tempo em que entra no da música. Rhaissa começou a ser conhecida depois de interpretar a música Don’t Let Me Be Misunderstood, na campanha da loja C&A e foi convidada para cantar no desfile da marca. Em Voilá, brinca com as palavras e a voz, dando um tom leve e criativo à músicas com batidas diferentes, feitas por músicos convidados. Em entrevista, a cantora independente fala sobre a carreira, divulgação de seu trabalho e planos para o futuro, que está começando agora. Confira:
Por que quis ser cantora?
Desde pequena eu sempre quis ser cantora. Era uma coisa maluca e sempre tive vergonha de dizer para as pessoas. Achava uma coisa meio sonho da Xuxa, sabe? Como se fosse aquela criancinha que diz “quero ser cantora”. Demorei um tempo para assumir isso. Mas até lá, eu fiz aula de canto, violão e piano. Com 17, fui fazer um estágio em uma produtora de áudio, que faz jingles publicitários. Fiquei como assistente de estúdio por aproximadamente cinco meses e percebi que dá para viver de música e decidi tentar. Conheci uma galera e fui morar em Taiwan. De volta ao Brasil, comecei a trabalhar como cantora de jingles e locutora. E comecei a gravar um CD na Panela Produtora. Quando dei por mim, já tinha que falar que era cantora, já que eu respondia antigamente “Ah... eu canto”.
Por que você foi para Taiwan?
Fui fazer intercâmbio de colegial. Me formei na escola aqui, fiquei meio ano fazendo esse estágio na produtora e fui fazer o colegial em Taiwan pelo Rotary Club. Fiz um ano no colegial vocacional, onde tinha aula de músicas e teatro. A proposta do programa era viver como uma taiwanesa por um ano.
Você disse que sempre quis ser cantora. Mas por que escolheu fazer faculdade de Jornalismo?
Me pergunto isso todo dia. (risos) Eu gosto de Comunicação. Eu optei por fazer aulas de canto particulares e quero voltar fazer aula de música, como teoria, para estudar sozinha e, em paralelo, fazer uma faculdade de Comunicação. Quando estava em Taiwan, fiz algumas coisas de Jornalismo e, pelo menos por formação, optei por esse curso. E até tem a parte das novas mídias e a interdisciplinaridade. Acho muito interessante misturar as disciplinas. Então, gostando de música e sendo cantora, talvez isso possa me dar outra característica como jornalista no futuro.
Como você faz para conciliar a vida de estudante com a de cantora independente?
Nossa, ontem tive que atrasar um trabalho. Estava gravando e, de repente, acabou a luz. Tinha que voltar para terminar o meu trabalho à noite. Mas não deu tempo e tive que mandar por e-mail de madrugada e explicar o que tinha acontecido para o professor. Ser cantora é uma coisa mais. Eu tenho os exercícios vocais, mas não é como a faculdade, que pede muito de mim. Ao mesmo tempo, como eu sou cantora independente, cuido dos meus projetos e corro atrás disso. Sou a cantora e a produtora, por enquanto. Então ocupa bastante tempo. Mas estou levando, costurando o tempo.
Como você faz para divulgar o seu trabalho?
Utilizo a internet e o boca a boca. Anteontem, um japonês falou no Twitter sobre o disco. Era o meu CD com o meu nome. Ele disse que estava ouvindo e tudo mais. Fiquei surpresa. Nem sei como o meu trabalho foi chegar aos ouvidos japoneses. Não gostava muito de Twitter, mas abri só para fazer a divulgação. Você conhece gente e gente te conhece. É incrível como o boca a boca tem força, tem o selo do amigo.
Você que está entrando agora, como você vê a cena musical brasileira?
Essa pergunta é tão difícil de responder. A cada momento, descubro mais cantoras e bandas novas. Ainda mais na internet. Você dá uma “fuçadinha” a mais e já descobre outro universo, meio ou núcleo de cantoras. Outro dia estava ouvindo Tatiana Parra. Ela tem um estilo de cantar que eu não conhecia muito bem, mas vi que tem mercado, que tem cantores gravando CD e tudo mais. Gosto muito do que a Céu e a Tié estão fazendo. Acho que cada vez menos vai ter aquele artista de multidões, se tiver será muito passageiro ou rápido. Cada vez mais os artistas vão ter o seu público mais fechado e que não lotam um Maracanã. Mas isso é só um “achismo”, afinal estou chegando agora.
O que te inspira na hora de cantar e compor?
O que me inspira na hora de cantar é a história que a música quer contar para as pessoas e as emoções que eu quero passar. No Voilá, as músicas são histórias que a gente conta. Até os músicos que fazem participações especiais assumem as personagens na hora de tocar. Isso é um pouco o que tento fazer, mas sem exageros.
Você disse que as suas músicas são histórias. Acredita que o jornalismo ajuda nessa parte de “contar histórias”?
Acho que talvez ajude e eu nem saiba. Quando escrevo alguma coisa para faculdade, tudo influencia. Tudo que vivi, que estou fazendo e todas as experiências que estou vivendo no momento vão me influenciar. Sem dúvida, o que estou fazendo como Jornalismo está me influenciando na minha forma de me comunicar com as pessoas.
Qual é a sua música favorita do Voilá?
É muito difícil e cada hora eu tenho uma. Tem hora que é Pa ri e tem hora que é Pombo Correto. É muito divertido cantar todas elas. O Maurício Pereira fez Piquenique no Horto, o Daniel Galli e o Filipe Trielli fizeram a música para essa letra. Ficou uma coisa. É legal quando a música ajuda a dar vida à letra e a contar a história que a letra está contando. Uma coisa está casada com a outra e não separada. Essas músicas são assim e tenho prazer em cantar todas elas.
Muitas famílias não gostam quando o filho diz que quer seguir a carreira artística. Como a sua família vê isso?
Eles babam, vão em todos os shows, aplaudem e contam para os amigos. Mas, ao mesmo tempo, sabem que estou fazendo a faculdade de Jornalismo. Ainda não me joguei e disse que vou ser cantora e só vou fazer música. Então, eles se sentem mais seguros, porque eu estou fazendo faculdade.
Esse é seu primeiro CD. Tem planos de gravar mais?
A gente ainda quer fazer clipe e divulgação. Também queremos shows aqui e em outras cidades. Então, os planos dos próximos anos serão de divulgação. Mais para frente, talvez grave outro CD. Mas nem sei.
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