Na Virada Cultural 2010, Aurora das Máquinas Abertas demonstrou em performance o processo de suspensão corporal
A luz amarelada e a música melodiosa deixam a atmosfera ainda mais pesada. Em um ritual de transcendência da dor, os praticantes da “suspensão corporal” se penduram por suas costas, pernas e joelhos apenas por ganchos que transpassam carne e pele. A concentração e o relaxamento são evidentes nos rostos de quem está a quatro metros de altura do chão. Para o público, um misto de admiração e horror.
Um processo extremamente delicado e cuidadoso até mesmo para quem é profissional da área de body modification (alterações corpóreas que podem ir da tatuagem ao piercing, por exemplo). Os ganchos são colocados de acordo com o performer, para que possa permanecer suspenso o maior tempo possível. Cuidados médicos estão presentes nessa arte: deve-se saber a localidade e quantidade de ganchos apropriados, no que envolve compreensão da anatomia humana, fisiologia e, até mesmo, a matemática. Caso o número de ganchos for muito pequena e não comportar o peso do performer, a pele não suportará o peso e rasgará.
Historicamente, a suspensão corporal provém de um ritual realizado pela tribo de índios americanos Mandan. Apesar disso, a prática também está presente em outros grupos indígenas, alguns originados da Índia. A apresentação do grupo Aurora das Máquinas Abertas ocorreu durante a Virada Cultural paulistana deste ano. Baseada no aspecto tribal, a suspensão tentou mostrar um outro lado da prática, que vai além do choque e da aflição: a busca pela transcendência da dor, o equilíbrio da mente e corpo como aproximação de si consigo mesmo.
Comentários Postados
Adorei!! Mais uma vez obrigada pelo respeito e delicadeza!
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