Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Artigos

17/09/2010 - 12h07 - Atualizado em 21/05/2012 - 00h04

Uma máscara só

Por Maíra Roman, aluna do 2º ano de Jornalismo

Musical "O Médico e o Monstro” impressiona paulistanos

Compartilhe:


Reprodução
Nando Prado em cena

Desde 9 de julho, o espetáculo O Médico e o Monstro cumpre temporada no Teatro Bradesco, no shopping Bourbon Pompeia, em São Paulo. Baseado no livro Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson, a montagem brasileira tem o custo estimado em R$ 6 milhões, valor relativamente alto para apresentações do gênero no Brasil. O diretor é o americano Fred Hanson, vindo da Broadway. E a adaptação para o português é assinada por ninguém menos que Claudio Botelho, que forma, junto com Charles Moeller, a dupla infalível dos musicais brasileiros. Contando com um elenco de primeira qualidade, o espetáculo impressiona com efeitos como chuva e fogo no palco.

A história se passa na Londres de 1885. Inconformado com a loucura de seu pai, o ilustre Dr. Henry Jekyll decide fazer uma fórmula para afastar o lado mau das pessoas, partindo do pressuposto que todos são compostos pela dualidade do bem e mal. Na falta de cobaias para a experiência, o médico decide testar em si próprio. Aos poucos, transforma-se em Edward Hyde, seu alterego do mal. Ambos são vividos por Nando Prado, que encena com desenvoltura uma das passagens mais difíceis e cobiçadas em musicais: são dois extremos de personalidade, voz e encenação se transformando em pleno palco.

Nas vésperas de seu casamento com a doce Emma Carew, interpretada por Kiara Sasso, o Dr. Henry Jekyll fica cada vez mais ausente. À medida que estranhos acontecimentos tomam conta da cidade, a personalidade dócil dele é sobreposta pela agressividade de Hyde. Edward passa a frequentar prostíbulos, onde conhece Lucy Harris, personagem de Kacau Gomes. Sua voz marcante e presença de palco são boas surpresas no espetáculo.

A temática do musical coexiste com qualquer tipo de público, já que pode ser tomada como simples por discutir o maniqueísmo da personagem principal, ou complexa, por ser uma metáfora das dificuldades do relacionamento humano.

Os grandes números da versão original tiveram a melodia levemente acelerada pelo diretor musical Paulo Nogueira. Regendo uma orquestra com 17 músicos, ele construiu as adaptações de Seu Olhar, um dos momentos mais incríveis do espetáculo, que compõe um dueto de Emma e Lucy, entre outros números que fazem parte dos clássicos da Broadway, como a “nova” Facade, instante em que as personagens, entre danças, gestos e interpretações, constatam a vulnerabilidade do homem.

Os mais de 150 figurinos da peça são assinados pelo grande estilista Fause Haten, mostrando que além das pasarelas sabe vestir nos palcos. Em harmonia, a criação, produção, atores e músicos formam a equipe de mais de 200 profissionais envolvidos, prontos para deixar a plateia boquiaberta até dia 3 de outubro. E, claro, prontos para mostrar que o Brasil tem cada vez mais espaço para o teatro musical de qualidade.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.