Sílvio Henrique Barbosa publica sua tese de Doutorado sobre TV e Cidadania
Lançado em agosto, na Bienal do Livro, TV e Cidadania é fruto da tese de Doutorado (Cidadania: a Educação que passa pela TV Brasileira) de Sílvio Henrique Barbosa, professor de Telejornalismo II, disciplina lecionada aos alunos de Jornalismo do quarto ano. Defendida em 2006, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), a pesquisa levou quatro anos para ser adaptada num livro que discute a importância da televisão, mídia de maior alcance social do Brasil quanto à transmissão de noções de cidadania – direitos e deveres – à população. Publicada pela editora All Print, a obra possui 104 páginas.
Segundo Sílvio, o interesse em desvendar as propriedades civilizatórias da TV vem por conta da própria observação feita por ele, durante seus 22 anos de trabalho como jornalista. “A maior parte desse tempo passei em redações de TV, aqui do Brasil e também dos Estados Unidos, onde dirigi três programas jornalísticos da rede de televisão norte-americana CBS”, conta. A pesquisa traz uma análise baseada nas opiniões de 150 organizações não-governamentais brasileiras entrevistadas pelo professor, inclusive a UNICEF, de caráter transnacional.
Todas as ONGs procuradas tratam de questões de cidadania, como direitos sociais (moradia, trabalho), questões de gênero (direitos da mulher), da infância, raça e orientação sexual. As organizações Alfabetização Solidária e Capacitação Solidária, por exemplo, Sílvio afirma que foram de grande ajuda quanto a análises sobre o papel social da TV. Fazem parte desta obra, que aborda tanto programas jornalísticos quanto ficcionais (telenovelas e minisséries), os pareceres de profissionais das duas principais produtoras de teledramaturgia do Brasil, as redes Globo e Record. “Eles me forneceram informações cruciais sobre o trabalho de inserção do merchandising social nas tramas”, afirma.
As novelas e o merchandising social
Entende-se o conceito de merchandising social como a inserção de mensagens de cunho social dentro de uma trama ficcional, no caso, a telenovela. “Por exemplo, colocar uma personagem viciada em drogas, um alcoólatra, um deficiente físico ou casos de violência contra a mulher são meios de se praticar o merchandising social”, explica Sílvio. Esses dramas vividos na ficção, diz o professor, repercutem rapidamente nas ruas, levando as questões já levantadas na novela para debate.
Tendo em vista este potencial das narrativas ficcionais televisivas, Sílvio reconhece também que existe permeado na sociedade um preconceito quanto às telenovelas. “Elas são vistas de forma bastante negativa, como um produto alienante apenas”, reflete. Contudo, o pesquisador mostrou-se surpreso diante das pesquisas realizadas com as ONGs conforme lhe foi revelado o fato de que alguns agentes sociais consideram a telenovela como um elemento muito importante na transmissão de noções positivas e questionamentos à sociedade. “Segundo as ONGs citadas no livro, é muito mais eficaz colocar uma mensagem numa telenovela que alcança todo tipo de público, sem distinção de sexo, idade, região ou classe social, do que limitar esta mensagem a programas específicos, de pouca audiência”, diz Silvio.
Apesar das boas informações coletadas nas ONGs, o professor se recorda de uma entrevista feita com o Instituto Paulo Montenegro, braço social do IBOPE. “O encarregado foi bastante lacônico, respondendo não ver TV e não achar que ela pode ter um papel importante na transmissão de noções de direitos e deveres à população”. Direcionada a profissionais e estudantes das áreas de comunicação e educação, Sílvio reafirma que a obra tem como propósito a confirmação de como um meio considerado “tão alienante” pode, efetivamente, ajudar a sociedade a melhorar – conforme os muitos exemplos citados no livro sobre mudanças sociais iniciadas com a apresentação do fato primeiramente na TV.
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