Adoniran Barbosa e Noel Rosa são homenageados no Café Filosófico de setembro
Para celebrar o centenário dos compositores Adoniran Barbosa e Noel Rosa, o Café Filosófico no Trianon deste mês convidou dois palestrantes para comprovar que os dois artistas foram uma “brasa”, e continuam sendo – parafraseando o sambista paulista. O tema desta quinta-feira, 09/09, foi Adoniran e Noel: Cronistas do povo, com a participação especial do seresteiro e palestrante, Roberto Mahn e do professor Gilberto Maringoni.
Mahn, carinhosamente conhecido como ”Roberto Seresteiro”, é jornalista, professor de História de Música Popular Brasileira e abre a tarde de reflexões cantando nada menos que Filosofia, de Noel Rosa. Ainda canta outros grandes sucessos dos sambistas – como João Ninguém de Noel e Já fui uma brasa de Adoniran - ao lado do violonista Junior Pita, formando uma harmonia perfeita no parque.
Para introduzir o tema, o doutor em História Social pela Universidade de São Paulo, Maringoni, toma a palavra. A respeito do sambista carioca, Noel, ele destaca a vastidão de sua obra, cujo legado deixado é cerca de 260 músicas aos 26 anos de idade, com apenas sete anos de carreira. Também explicita como Noel conseguiu fazer a ligação entre o morro e o asfalto, fator fundamental para o enriquecimento da cultura popular na época. “Ele fazia parceria com todo mundo, desde Orestes Barbosa, compositor de alta classe, até com o pessoal do morro, como Ismael Silva e Cartola”, explica Gilberto.
Completando a fala do professor, Roberto observa que ao longo de toda a obra do cantor, é possível notar duas características predominantes. “Existem os tipos sociais, sempre de uma forma bem humorada e satírica, como o Com que roupa? e Conversa de Botequim, e tem também as autobiográficas, que são mais tristes, como Pra quê mentir?”, pontua. Sobre Noel, o seresteiro ainda conta algumas curiosidades, como o mito do “queixinho”, a polêmica travada com Wilson Batista, o escambo de composições por um carro com Chico Alves para impressionar as mulheres, e os amores e desamores de sua vida.
Enquanto o carioca só começou a fazer sucesso depois de póstumo, nos anos 50, Adoniran começava a carreira em São Paulo. Suas primeiras canções foram Malvina, Saudosa Maloca e Samba do Arnesto. Segundo Roberto, o paulista era o “cronista dos bairros de São Paulo” sem nunca ter estado neles, e contava histórias que nunca havia vivido com a impressão viva de ter presenciado, como Triste Margarida.
Semelhante a Noel, também criava tipos sociais em suas canções – exemplo disso é Saudosa Maloca -, mas raramente abordava temas autobiográficos. Sua música mais famosa sem dúvida é Trem das Onze (1965), considerada a mais representativa da capital paulista. Maringoni mostra que o cantor não era só conhecido pelo talento musical, como também reconhecido na produção cinematográfica, contracenando com Mazzaropi no filme Candinho, de 1954. Mahn conclui a palestra constatando que hoje se tem mais conhecimento da obra de Adoniran que de Noel, apesar de seu acervo de composições ser muito menor. Os dois palestrantes indicam dois livros para os interessados: Noel Rosa - Uma Biografia, de João Maximo e Carlos Didier, e Adoniran, uma biografia, de Celso Campos Jr.
Da mesma forma que inaugura, o seresteiro fecha as palestra, sob a sombra das árvores do Trianon, com mais algumas canções. Rememora a inauguração do metrô, com Triste Margarida, e elucida a filosofia européia de Comte, com Positivismo, de Noel. Por fim, o público satisfeito “lamenta e chora a separação”, que vai embora cantarolando os trechos de Último Desejo, também composta pelo sambista carioca.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.