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03/09/2010 - 10h42 - Atualizado em 19/05/2012 - 12h33

Um filme em busca de respostas

Por Ana Castilho, Editora do site

Continuação de aclamado terror espanhol, “REC 2 – Os Possuídos” busca explicações, mas esquece de assustar

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Reprodução

Quais são as chances de uma sequência alcançar o êxito do primeiro filme de uma saga? Independente do gênero, continuações tendem a frustrar e, por isso, são renegadas. E quando a produção em questão é de terror? Muito populares no ciclo que usa mortos-vivos, sangue e espíritos como mote narrativo, são geralmente envoltas em humor negro, assassinos imortais e sátiras.
 
No caso da continuação do terror espanhol REC, REC 2 – Os Possuídos se perde ao tentar explicar o que aconteceu no primeiro filme. A história recomeça exatamente do momento onde parou: depois de uma infecção por um suposto vírus, um prédio localizado no centro de Madri é cercado pela polícia e seus ocupantes – entre eles, bombeiros, uma repórter e um cinegrafista – são proibidos de sair do edifício. Perdendo sinais de sobreviventes dentro do local, uma equipe especial da polícia entra no lugar para verificar a situação. São acompanhados por um médico que dá a ordem: “tudo deve ser documentado”. Uma vez dentro do prédio, descobrem a real causa da suposta “infecção”.

O longa, assim como o primeiro da série, tem aparência de gravado com a câmera na mão, o que passa um pouco da tensão do ambiente para o espectador, mas também chega a ser enjoativo. A história de REC 2 é contada por meio de três filmadoras diferentes: a da equipe especial da polícia, a de um grupo de jovens que consegue entrar no edifício por meio de um acesso subterrâneo e a da repórter Ângela, que protagonizou o primeiro filme com o cinegrafista Pablo.

Para quem não viu REC, algumas referências podem ficar obscuras ou passarem batidas, mas ele não é extremamente necessário para a compreensão da sequência. A produção, assinada pelos mesmos diretores do primeiro, Jaume Balagueró e Paco Plaza, tenta manter a mesma adrenalina e terror do anterior, mas se perde sendo algo que poucos filmes de terror conseguem – ou podem – ser: racional.

A produção não é ruim e, como toda sequência de um filme bom, surpreende por não ser pior. A melhor atuação ainda é de Manuela Velasco, que dá “vida” a repórter. Os efeitos especiais são básicos e reais, o que faz com que a história não caia no comum. A quebra cronológica é bem explorada, tornando o enredo compreensivo. O final do filme dá brecha para uma - ou melhor, duas - já prometidas sequências, que, segundo os diretores, serão lançadas em 2011 e 2012. Agora, resta saber se o longa continuará buscando respostas e teorias ou se focará no que REC se mostrou especialista: assustar e enojar.



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