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01/09/2010 - 12h00 - Atualizado em 19/05/2012 - 23h03

Uma viúva bem-humorada

Por Lidyanne Aquino, aluna do 2º ano de Jornalismo

Entra em cartaz a segunda produção cinematográfica de Isabelle Margault

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Reprodução
Os atores Jacques Gamblin e Michèle
Laroque

Uma mulher corre e se exercita em meio a uma bela paisagem à beira mar. Para acompanhar a atividade, escuta um clássico da música francesa com fones de ouvido, Et si tu n'existais pas (e se você não existisse). Longe de ser somente uma coincidência, ao relacionar a canção com o título do filme, o espectador já pode ter uma ideia do humor que lhe espera em Enfim Viúva.

Anne-Marie, vivida por Michèle Laroque, vive entediada com seu casamento. Para afastar esse sentimento, tem momentos de satisfação ao encontrar o amante, Léo, interpretado por Jacques Gamblin. Quando ele recebe uma proposta de trabalho na China, o instante parece oportuno para que o casal vá embora da cidade, tendo a liberdade de assumir o romance longe dali. Enquanto tentam escrever uma carta explicando o porquê da partida de Anne-Marie, mal podem imaginar que o marido Gilbert, papel de Wladimir Yordanoff, terminaria a tarde sendo vítima de um acidente de carro, no qual somente o gigante poodle que o acompanhava sobrevive.

A infeliz coincidência leva a família à casa da então viúva. Enquanto procuram dar-lhe forças, ela tenta disfarçar sua felicidade e alívio. Nesse ponto, desencadeia uma sequência de situações hilárias em que tenta fugir para encontrar o amante e fingir comoção pela morte do marido. Durante uma das escapadas, Anne-Marie é surpreendida pelo filho, acompanhado pela esposa e a desconfiada sogra. Procurando uma desculpa plausível, diz que estava triste e resolveu dar uma volta em busca de distração.

O filho, Christophe, atuação de Tom Morton, comove-se e passa a noite ao lado da mãe. Ele, verdadeiramente triste, relembra momentos da família, entoando uma música que o pai costumava cantar durante sua infância. A viúva, por outra vez, esconde o desespero: enquanto o filho a consola, o amante a espera. A situação é agravada quando a família resolve não ir embora, mudando-se para a casa. Ela, então, fica sem saída, dividida entre a vontade de dizer a verdade para aproveitar a tão esperada felicidade e o medo da reação dos familiares.

Na tentativa de dividir seu tempo entre a família preocupada e o amante quase desiludido com a possibilidade de partir com a amada, o filme deixa o tom de comédia de lado e proporciona uma reflexão – se aquilo que mais queremos é mesmo a melhor opção. A atriz e diretora Isabelle Margault, no segundo trabalho em que assume a direção, consegue com sucesso conciliar comédia e drama, provocando risos instantâneos nos espectadores.



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