Autobiografia retoma altos e baixos da vida e carreira de André Agassi
Imagine-se aos 6 anos treinando em uma quadra de tênis, no fundo de sua casa, mais de quatro horas diárias. O principal adversário: uma máquina de cuspir bolas, construída para arremessar petardos na altura de seus olhos, com velocidade próxima dos 80 km/h. Todo esse esforço porque seu pai quer torná-lo o melhor tenista do mundo. Assim que a autobiografia de André Agassi começa, entre o gancho da última partida como profissional e o início dos treinamentos. Agassi retoma os períodos mais intensos da vida do atleta.
Nascido em Las Vegas, filho de um pai iraniano rigoroso e pouco afetivo e de mãe americana, André fazia pequenas apresentações com os jogadores adultos da região. Era uma espécie de menino prodígio do esporte. A fixação do responsável para que se tornasse o número um do mundo foi tanta, que Agassi não podia praticar outro esporte senão o tênis – apesar de amar futebol, o pai achava que o esporte atrapalharia seu campeão. O ápice veio com a transferência do jovem, aos 13 anos, para uma escola preparatória de tênis, em Miami. Longe da família e amigos, a faceta rebelde do atleta se destacava, sendo inúmeros os incidentes por indisciplina e sarcasmo. O mau comportamento era devido à saudade e revolta de um adolescente sobre pressão e longe de casa.
A fase profissional é descrita em detalhes, tanto dos componentes físicos, quanto dos sentimentos que Agassi passava, além das dores no corpo. O tenista revela também os bastidores do esporte, provocações, a preparação e rotina que seguia. Os pontos mais emocionantes do livro são as partidas entre Agassi e Pete Sampras, tachado pela mídia americana como arquerrivalismo.
Agassi foi nomeado o número um do mundo dia 10 de abril de 1995, período em que conquistou condicionamento físico adequado, apesar de ser um viciado em junkie food. Na época, namorava a atriz Brooke Shields (protagonista de A Lagoa Azul, filme de 1980), por quem fora encantando devido à beleza arrebatadora. As rotinas intensas, desgastes com as pressões vindas das carreiras públicas e incompatibilidade de gênios, fez com o casamento terminasse em 1999.
A obra chama a atenção pela maneira sincera e detalhada, na qual narra a vida do esportista. As 504 páginas do livro - lançado no Brasil pela editora Globo - são recomendadas não somente aos fãs e amantes do tênis, como também aos que gostam de narrativas bem trabalhadas. Contudo, a quantidade de fotos contidas na publicação poderia ser maior, pois enriqueceria ainda mais trechos que falam das vitórias profissionais e pessoais de Agassi, assim como o período de dependência química. Ganhador dos quatro torneiros de Grand Slam (Roland-Garros, Wimbledon, US Open e Australian Open), os episódios perdem um pouco do impacto do momento, em virtude da ausência de imagens.
Agassi casou com a alemã Steffi Graf em 2001. Dona de 22 títulos de Grand Slam e considerada uma das melhores tenistas de todos os tempo, a atleta completou o ex-menino rebelde, pois passara pelas mesmas pressões e angústias com o pai. Juntos até hoje, a família Graf Agassi tem dois herdeiros, Jaden e Jaz, além de uma escola preparatória que educa crianças carentes a partir do tênis. Dos traumas da infância, passando pela rebeldia e culminando em uma carreira cheia de altos e baixos, André Agassi perfila sua vida e deixa sua marca como um dos maiores esportistas do mundo.
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