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27/08/2010 - 18h10 - Atualizado em 09/02/2012 - 12h22

A comunicação em torno de um mar de trocas

Lidia Zuin

Em seminário, Prof.ª Dr.ª Tereza Velázquez mostra resultados de suas pesquisas sobre a sociedade do conhecimento na região do Mediterrâneo

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O seminário Imagem e Sociedade do Conhecimento, organizado pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura Visual, foi aberto pela Prof.ª Dr.ª Dulcília Buitoni, quem também coordenou o evento junto da mestranda Ana Paula Kwito. A primeira apresentação foi realizada pela Prof.ª Dr.ª Tereza Velázquez, catedrática da Universidade Autônoma de Barcelona e principal investigadora do projeto “A construção social do espaço euro-mediterrâneo nos meios de comunicação”. Intitulada “Comunicação e Sociedade do Conhecimento: projetos de pesquisa na região mediterrânea (Europa e norte da África)”, sua palestra durou aproximadamente duas horas e foi assistida por alunos da graduação, mestrado e por professores da Faculdade.

Ao apresentar seus estudos, Tereza explicou a diferença entre os termos “sociedade do conhecimento”, “sociedade da informação” e “sociedade da comunicação”. Tomando como referência a obra de Manuel Castells e Marshall McLuhan, a professora elencou tais conceitos de forma que a sociedade do conhecimento, que é aquela que tem acesso às TICs (tecnologias da informação e da comunicação) e é capaz de gerar, transferir e receber informação, só existe a partir da sociedade da informação (que é aquela que produz as TICs) e da comunicação (que é composta pelos produtores de conteúdo). “As TICs são instrumentos que possibilitam o trabalho por meio da implementação e do experimento”, disse Tereza Velázquez, completando que para o manuseio correto da informação, no entanto, são necessários alguns pré-requisitos. “É preciso se formar para saber o que é informação e para ter filtros, que é o que fará o profissional não acreditar em tudo o que lê. Essa formação inclui do conhecimento de mundo, de cultura, história e, certamente, comunicação.”

Questão mediterrânea

Discutir sobre a globalização da informação não é algo novo, para a professora. Tereza indica que esse fenômeno já acontecia desde os romanos, gregos e egípcios. “Em qualquer época, a informação sempre circulou. A novidade de hoje são os instrumentos que facilitam a comunicação.” Essas ferramentas – como a internet, o e-mail e os sistemas Wiki –, inclusive, são responsáveis pela nova configuração da vida cotidiana. “O acesso à informação nunca antes foi tão democrática”, disse, fazendo menção às Common Medias (mídias de domínio público).

Como o foco de sua pesquisa são os países mediterrâneos (sul da Europa e norte da África: Espanha, França, Itália, Grécia, Egito, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos), Tereza mostrou gráficos de um levantamento feito pelo Banco Mundial a respeito do acesso à informação por parte desses países. A referência foi a quantidade de telefones fixos, de computadores pessoais, de usuários de internet e telefones móveis a cada cem habitantes, entre os anos de 2001 e 2009. Conveniente foi notar que a França permanece em primeiro lugar em praticamente todas as estatísticas, exceto a de telefones móveis, com Itália e Grécia à frente.

Assim, Tereza Velázquez defendeu a importância da região estudada. “O Mediterrâneo é o mar das trocas”, disse, pouco antes de começar a enumerar os assuntos pesquisados por seu grupo, como a questão do Processo de Barcelona pela união do Mediterrâneo (a abordagem da imprensa e da TV), políticas de investigação e a aliança entre civilizações. Como objetivos e hipóteses, Tereza comentou sobre políticas estatais, como ocorre em alguns países árabes, que proibem que menores de 18 anos acessem a internet em cybercafés. “O direito à comunicação e à informação é um direito humano. E a internet continua inacessível na maior parte do planeta. Mas como pedir isso se nem as doenças e a fome ainda não foram erradicadas?”, finalizou.



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