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20/08/2010 - 12h48 - Atualizado em 18/05/2012 - 17h28

Para ser repórter

Por Bianca Chaer, aluna do 1º ano de Jornalismo

Caco Barcellos, Alberto Dines e Lílian Romão conversam sobre jornalismo na Bienal

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Reprodução
Caco Barcellos e companheiros na Bienal

Uma fila enorme de jovens protestava por estar do lado de fora do auditório onde Caco Barcellos, Alberto Dines, Lílian Romão e dois outros jovens repórteres conversavam com o público da  21ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo. Erguendo folhas de jornal com os dizeres "Desorganização" e "Os estudantes de jornalismo estão aqui fora", conseguiram simpatia de Caco Barcellos, que discretamente pediu para que liberassem a entrada deles.

 No Espaço Volkswagen, o 'Território Livre' traz programação voltada aos jovens, e com a mesa "Para ser repórter", pretendia-se segundo o mediador Armando Antenori, editor-sênior da revista Bravo!, desmistificar a profissão e tirar um pouco do glamour que é atribuído aos jornalistas. O debate começou com meia hora de atraso e a ausência de Serginho Groisman, um dos palestrantes que estavam previstos no programa.

Começando com uma rodada de apresentações, Lílian Romão falou um pouco sobre o projeto de comunicação colaborativa do qual participa. A Viração, uma publicação pioneira, que reúne estudantes de mais de 24 localidades de todo o país, para criar uma revista feita por jovens, para o mesmo público. Caco Barcellos contou sua trajetória na carreira jornalística, falou a respeito da publicação de seus dois livros, Rota 66 e Abusado, sobre o trabalho de jornalismo investigativo que conduziu para redigí-los e o Profissão Repórter, sua aposta nos mais jovens para aumentar a proximidade do jornalista com o público e assim realizar um produto diferenciado.

Ao lado de Caco Barcellos, um veterano, Alberto Dines. Dirigiu o Jornal do Brasil, trabalhou na sucursal da Folha no Rio de Janeiro e foi considerado o primeiro Ombudsman do país. O mais experiente da mesa fala sobre o repórter como a essência do jornalismo. Dines, que também fundou o Observatório da Imprensa, mesmo com quase 80 anos, diz que ainda quer brigar: "Quero mudar o mundo e a imprensa" afirma.

Durante a rodada de perguntas do público, não surgiram muitas polêmicas, e a maioria dos questionamentos eram restritos à vivência prática dos repórteres. Enquanto Lílian Romão focou-se em apresentar a revista Viração e sua contribuição para o jornalismo atual, Caco Barcellos pode contar em detalhes algumas de suas experiências, quando indagado pela plateia sobre fatos marcantes.

Alberto Dines foi o que respondeu o maior número de perguntas que se relacionavam ao jornalismo de forma geral. Posicionando-se sobre a exigência do diploma, ele diz que não é necessariamente a favor da permanência, pois não confia somente na teoria, mas sim na prática para formar bons profissionais.

Quando questionado se o “Observatório da Imprensa” seria uma forma de luta nessa briga para mudar a imprensa, Dines afirma que quando o profissional deixa de criticar, aos outros e a si próprio, passa a não ser jornalista. “Se ele se intitula ‘o olhar crítico da sociedade sobre os fatos cotidianos’, e perde esta visão para a própria profissão; perde-se também o sentido de seu trabalho”.



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