M.I.A. brinca com a internet e lança novo disco, "MAYA"
Conhecida internacionalmente depois do lançamento da música Bucky Done Gun, de seu primeiro disco, Arular, M.I.A., nascida Mathangi Maya Arulpragasam, sempre buscou referências em estilos diferentes. No álbum, um ritmo famoso no Brasil, o funk, mistura-se com a voz estridente e mixagem desordenada. Tanto que, na coletânea Piracy Funds Terrorism, há funks cariocas remixados com Papa Don’t Preach, da cantora Madonna, e Sweet Dreams, da banda Eurythmics, feitos pela cantora inglesa. O sucesso obtido com as mesclas e as raízes asiáticas fizeram com que ela fosse chamada para participar da trilha sonora do filme Quem quer ser um milionário?, com a aclamada Paper Planes e a música O...Saya.
Apesar de tratar do mundo da tecnologia, as canções do novo álbum da cantora, MAYA, são, em sua maioria, diferentes entre si, deixando o CD um tanto confuso e mais com cara do estilo atual de M.I.A., - roupas de estampas diferentes e que, a princípio, não combinam entre si. A primeira faixa do disco, The Message é introduzida pelo característico barulho de dedos digitando em um teclado. XXXO, o mais novo hit, brinca com a linguagem de internet e mostra um lado mais pop do disco. Já Teqkilla é a imagem perfeita das misturas que adora fazer, já que é caótica e veloz ao misturar palmas, batidas eletrônicas e cítaras. Lovelot perece ter fugido do primeiro trabalho da cantora, com batida mais funk e menos tecnológica. Com uma sonoridade mais levada ao reggae e um tanto enjoativa, It Takes a Muscle tem o pegajoso refrão de uma linha só: “It takes a muscle to fall in love”. Por outro lado, Born Free é a melhor música do CD. Violenta, barulhenta e pesada, a canção ficou bastante conhecida, mesmo antes do lançamento do álbum, devido ao seu videoclipe, que foi deletado do Youtube por ser considerado extremamente violento. Meds and Feds surpreende com o seu riff pesado de guitarra e música eletrônica, e Space, que evidencia o lado asiático da artista.
Fazendo alusões claras à linguagem e a tudo aquilo que é consumido pela geração que vive na internet, o disco mostra as suas intenções logo na capa. Lá o rosto de M.I.A. é coberto por vários players do Youtube e o nome do CD, que se lê “Maya”, é apresentado em símbolos gráficos. Mesmo longe de superar os discos anteriores da cantora, MAYA é interessante, apesar de não manter um padrão e, por isso, tende a causar certo estranhamento aos fãs mais antigos. Por outro lado, atrai público novo com o som distinto e mais moderno. Marketing ou amadurecimento? Não importa, o fato é que M.I.A. sabe misturar, independente dos ingredientes.
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