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19/08/2010 - 09h41 - Atualizado em 21/05/2012 - 19h29

O lado negro da adoção

Por Francisco Izzo, aluno do 3º ano de Rádio e Televisão

Adoção é tema central do drama “Destinos Ligados”

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Reprodução
Os atores Samuel L. Jackson e Naomi Watts

Três histórias que se cruzam ao longo do filme e compartilham o tema da adoção. Apesar dessa premissa do longa Destinos Ligados, de Rodrigo Garcia, ser precisa, não explica a relação entre elas, tornando a conexão entre Karen (Annette Bening), Lucy (Kerry Washington) e Elizabeth (Naomi Watts) mero momento em que os acontecimentos se esbarram.

Karen é uma mulher de meia idade, que aos catorze anos engravidou e deu o filho para a adoção, mas nunca superou essa decisão. Fria com todos a sua volta, tem um relacionamento difícil com a mãe, empregada e principalmente com o colega de trabalho, que tenta a todo custo estreitar os laços de amizade com ela. Sua filha, Elizabeth, cresceu para se tornar uma advogada de sucesso. O fato de ser adotada, fez com que prezasse por sua independência, sendo forte e distante de todos. Já Lucy é uma mulher infértil, que quer uma criança, mas para isso segue à risca os desejos de Ray (Shareeka Epps), garota grávida, exigente na hora de decidir quem ficará com o filho que espera.

Mas a ligação vai além desse tema, ao abordar o desenvolvimento da relação entre as personagens e ao demonstrar a maneira como os relacionamentos entre as três protagonistas é trabalhada.

O elenco masculino ‘dá as caras’ quando Elizabeth sai com seu chefe Paul (Samuel L. Jackson), pouco tempo depois de ser contratada. O relacionamento é frio por parte de Elizabeth, que descarta a possibilidade de ter uma vida a dois com ele, evidenciando que procura, no momento, somente um caso. Karen não quer entrar em uma relação, devido a culpa que sente por ter dado a filha para a adoção, e por isso rejeita as investidas de um colega de trabalho. Por último, Lucy aos poucos vai se afastando do marido, por querer adotar um bebê, uma vez que o esposo acredita que a presença de um filho legítimo é importante. Os romances se desenvolvem ao longo do filme, batendo de frente com a relação das protagonistas com a maternidade.

Destinos Ligados mostra um aspecto negativo da adoção, pois expõe uma forte tendência ao defender a relação de um filho com a mãe biológica e os efeitos negativos de Karen ter crescido sem a criança que gerou e Elizabeth sofrer devido a ausência da figura materna. E ao mesmo tempo que o duro relacionamento entre Karen e a mãe é criticado e trabalhado no decorrer do longa, o vínculo entre Elizabeth e a mãe adotiva mal é mencionado. Na obra, os laços de sangue tem muito mais força que os estruturados através do amor da mãe pela criança, que não é sua filha biológica, expondo assim essa deficiência.

A direção é cuidadosa, pois mantém o ritmo ao explorar bem os conflitos, favorecidos pelas boas atuações. O roteiro é preciso no momento de amarrar as histórias, porém a grande valorização dos laços sanguineos prejudicam o resultado final, apesar do imenso potencial.



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