Pato Fu prova que ninguém nunca é velho ou novo demais para inovar
Testar diferentes sonoridades e reinventar a forma de fazer música sempre foi uma regra na história do Pato Fu. A banda, criada em 1992, contou inicialmente com a voz de Fernanda Takai, guitarra de John Ulhoa, baixo de Ricardo Koctus e bateria eletrônica para gravar os primeiros discos. Atualmente são acompanhados pelo baterista Xande Tamietti - que entrou em 2002 - e tecladista Lulu Camargo, que está com eles desde 2005. E, apesar das mudanças, mantiveram a característica de unir letra e melodia de uma forma única.
Pato Fu faz parte das bandas que seguem a escola fundada pelos Mutantes - e Tropicalismo como um todo - misturando novas sonoridades à sua música. Mesmo tendo abandonado a bateria elétrica com a entrada de um baterista de carne, osso e muita velocidade, os traços eletrônicos nunca desapareceram das composições. Mas é em seu mais recente trabalho que o estilo que tanto acompanhava o quinteto divide espaço com um novo instrumento: a infância.
Munidos de instrumentos de plástico e itens já muito utilizados por crianças,, como um Genius, a banda criou o seu mais novo álbum, Música de Brinquedo. Como o título diz e cada faixa faz questão de lembrar, tudo que é tocado ali vem de um instrumento de “mentirinha”. No making of do disco, que apresenta covers de grandes nomes como Paul McCartney e Tim Maia, percebe-se a dificuldade de fazer música, digamos, séria, com brinquedos. Mas, segundo Jonh Ulhoa, deve haver um desapego da estética para criar uma canção, de fato, nova, já que tudo que é produzido hoje é muito minado na busca pela perfeição.
Os vocais de Fernanda dividem o espaço com a filha dela e Jonh, Nina, de 6 anos. A menina e mais três amigos fazem o papel de backing vocal de algumas músicas, em especial Primavera, do Tim Maia. No caso de Twiggy Twiggy, a vocalista, Nina e o amigo Mateus conversam durante a canção, dando um clima ainda mais meigo a um projeto que transborda nostalgia e naturalidade. O destaque do disco é a faixa Ska, de Os Paralamas do Sucesso, e Love Me Tender, de Elvis Presley.
Não é o primeiro trabalho de ícones da música brasileira que unem o universo infantil e adulto. No ano passado, Edgard Scandurra e Arnaldo Antunes se uniram no projeto Pequeno Cidadão, mostrando que música infantil também pode ser ouvida por pessoas que já não brincam mais com bonecas ou carrinhos. Pato Fu também entra nesse mérito, de fazer música para ser ouvida em família e tanto por crianças quanto adultos, já que esses, no fundo, permanecem um pouco crianças.