Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Filmes

13/08/2010 - 11h01 - Atualizado em 18/05/2012 - 18h09

Arquitetando sonhos

Por Jhennifer Moises, aluna do 3º ano de Jornalismo

Ficção científica sobre os truques do inconsciente conquista parte da crítica e maioria do público

Compartilhe:


Reprodução
Elenco reunido

“Nenhuma ideia é simples quando precisa implantá-la na mente de alguém.” Esse é o ponto de partida do enigmático filme A Origem, dirigido por Christopher Nolan. Projeto que levou nove anos para ganhar vida e está atraindo multidões aos cinemas - já arrecadou US$ 477 milhões em todo mundo desde a estreia, dia 06 de agosto. Alguns espectadores, inclusive, voltam para resolver questões que, para eles, não ficaram claras durante a primeira sessão.

O ator Leonardo DiCaprio (Cobb) é o protagonista da história, que fala sobre a imaginação humana, e como pode ser confusa e cheia de armadilhas para quem tenta desafiá-la. Cobb é o líder de um grupo que atua em um ramo não muito comum: entrar no subconsciente das pessoas, manipular sonhos e roubar informações. No elenco, também estão Joseph Gordon-Levitt (Arthur), Tom Hardy (Eames), Marion Cotillard (Mal) e Michael Caine (Miles). Destaque para Ellen Page (Ariadne), estudante de arquitetura responsável por projetar os níveis de cada sonho e fazer com que tudo pareça o mais realista possível.

A equipe, especialista em se infiltrar no cérebro das pessoas, encontra-se diante da tarefa mais difícil de toda sua carreira: inserir a ideia na cabeça de um herdeiro de uma multinacional, “forjar verdadeira inspiração”, como dito em um dos diálogos. Mas, para isso, será preciso descer até a camada mais profunda do inconsciente, correndo o risco de permanecer nesse estado permanentemente, o chamado limbo.

Há uma linha do tempo em que a plateia tem que se atentar para não se perder. Cinco minutos, na vida real, equivalem à uma hora de sonho. Essa noção temporal é representada por uma van, cuja queda determina a permanência das personagens no plano da fantasia. A história se desenrola com quatro sonhos intercalados, um inserido no outro.

Os efeitos visuais do filme são os fatores mais atrativos. Nolan, que também assina o roteiro da produção, garante o espetáculo. Uma das cenas mais impressionantes ocorre quando a cidade de Paris se dobra e encaixa-se em si mesma; nos deparamos com efeitos de um ambiente vertiginoso, o que também é proporcionado pela trilha sonora. Os atores também interpretam pessoas misteriosas e, embora nenhuma atuação esteja brilhante, o elenco é entrosado, seguro e não é ofuscado por recursos de alta tecnologia digital.

A Origem não é um típico filme comercial. Apesar de combinar ação e ficção científica, possui um ritmo lento, enredo intrincado, difícil de compreender, porém, instigante. A história remete aos temas com os quais Nolan já está habituado: a mente pode enganar qualquer um, mesmo quem tenha habilidade para decifrá-la, semelhante à produção Amnésia, de 2000.

Ariadne é a única do grupo que descobre o que mais atormenta Cobb, cujo único desejo é retornar para casa. Enquanto na mitologia grega, ela dá a Teseu um barbante, para depois que ele derrotar o Minotauro possa guiá-lo para fora do labirinto, no longa a personagem de Page, orienta Cobb de maneira diferente: não permite que saiba os segredos do cenário de nenhum sonho, com o objetivo de ajudá-lo a encontrar a saída do ”sonho que tomou sua realidade”.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.