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09/08/2010 - 15h05 - Atualizado em 06/02/2012 - 20h55

Com a boca na vuvuzela

Cecília do Lago, aluna do 4º ano de jornalismo

5º Congresso de Jornalismo Investigativo promove mesa sobre jornalismo invesgativo na área de esportes

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MICHAEL STUPARYK/TORONTO STAR
Segundo o jornalista Andrew Jennings,
Ricardo Teixeira "não é um brasileiro, ele
é um cidadão mafioso da FIFA".

Quando se fala em jornalismo investigativo, pensamos em um repórter buscando informações para matérias sobre política ou crime organizado. Entretanto, o Brasil possui bons exemplos de profissionais que fazem jornalismo investigativo, mas na editoria de Esporte. Um deles é Fernando Molica, do jornal carioca O Dia, que falou na mesa “Investigação em esportes”, no 5º Congresso de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji, no dia 30 de julho.

Ele, que já foi repórter da Folha de S. Paulo, contou sobre as maiores dificuldades de se fazer esse tipo de jornalismo, que, na maioria das vezes, mexe com os interesses dos “grandes cartolas” do futebol. Diferente de outros segmentos, o Esporte é guiado pela lógica da emoção. Muitos jornalistas se contaminam pela paixão da torcida, que perdoa escândalos com uma vitória do time que ama. Logo, quase inexiste incentivo para matérias esportivas de maior aprofundamento, justamente por estas serem caras e demoradas.

Mas a falta de grandes reportagens não é culpa exclusiva dos defeitos estruturais da profissão. Os clubes brasileiros, ao contrário dos espanhóis, como o Barcelona, têm estrutura amadora e não divulgam balanços anuais. Falta essa transparência mesmo nos maiores times de futebol no Brasil. Quanto aos times de outros esportes, que dependem exclusivamente da verba de um único patrocinador, pior ainda. A fonte pode “secar” a qualquer boato de crise econômica – campeonatos inteiros de vôlei já foram cancelados por falta de times de porte inscritos.

O outro palestrante, Andrew Jennings, já trabalhou na BBC e no Sixty Minutes, da CBS. Fazem parte de sua trajetória investigações sobre a corrupção na Scotland Yard , no Comitê Olímpico Internacional e na FIFA. Por conta de sua empreitada quanto à Federação Internacional de Futebol Associado, Jennings foi o único repórter no mundo a ser banido pelo presidente da organização, Sepp Blatter. Apesar disso, Andrew confessa não entender muito da área esportiva, seu interesse são os acordos de quem está nos bastidores. Logo após concluir suas pesquisas sobre os estádios da África do Sul, o jornalista profetiza o futuro do Brasil. “Vocês serão roubados, assim como o povo sul africano. O Ricardo Teixeira [presidente da Confederação Brasileira de Futebol] não é um brasileiro, ele é um cidadão mafioso da FIFA”, indica.



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