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30/07/2010 - 15h32 - Atualizado em 06/02/2012 - 13h39

Luzes, teatro e sonhos

Por Melina Sternberg, aluna do 1º ano de Jornalismo

Grupo israelense teatro é formado por atores cegos-surdos que se comunicam por base do tato e do amor a arte de atuar

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Reprodução
Cena da peça Não só de pão

A entrada é de um teatro normal. O público enche a entrada do Centro Nalaga'at para ver o grupo de atores cegos-surdos da instituição. Enquanto as pessoas tomam assento, a primeira cena já está acontecendo: uma série de padeiros amassando o pão. Ao som de um tambor e com o blackout, vem o sinal de que a peça Não só de pão vai começar.

Quando as luzes se acendem é que podemos ver o que caracteriza o grupo israelense através dos elementos que normalmente não vemos fora das cochias - ou mesmo numa peça comum de teatro: contrarregras correndo pela cena mudando cenários e conduzindo atores através do toque, um painel com legendas em hebraico, inglês e espanhol e, no canto, uma intérprete de linguagem dos sinais.

O grupo de teatro foi criado em 2002 por Adina Tal e Eran Gur  - convidados por um clube de convivência de cegos-surdos - com o intuito de montar um elenco dos integrantes. Em dezembro de 2007, o Centro Nalaga'at foi aberto no Porto de Yafo, em Tel Aviv, junto com a peça Não só de pão.

A primeira peça, A Luz é Vista em Zig Zag, mostrou a Israel e ao mundo o grande desafio de vencer a barreira da comunicação, tanto entre os integrantes da companhia como deles com o público. A solução encontrada por Adina foi combinar as necessidades de todos com a forma que cada um encontra para dialogar. Durante o espetáculo, sinais luminosos e sonoros marcam a mudança de cenas. Os intérpretes e contrarregras ajudam na movimentação em palco. Entre o elenco, o tato é o sentido mais usado para ler com as mãos a linguagem de sinais. No caso de Itzik Hanuna, ator, que nasceu cego e adquiriu a surdez depois de sofrer de meningite aos 12 anos, os atores utilizam uma luva especial em que cada parte da mão é uma letra.

Os ensaios para Não só de pão, segunda peça do grupo, começaram há dois anos, durante a temporada de A Luz é Vista em Zig-Zag. A ideia da performance é mostrar que nem só do pão de cada dia vivem as pessoas cegas-surdas. Cada cena é um sonho de cada membro do elenco. Para a platéia, os exemplos parecem bobos: assistir TV, casar-se, saber com quem está sentado e o que está ouvindo ou ir ao cinema comer um grande saco de pipoca. Elementos triviais da vida de pessoas que podem enxergar, falar e ouvir, mas que, para esse elenco, são coisas praticamente inalcançáveis.

Ao final do espetáculo, todos são convidados ao palco para falar com os atores e provar do pão que foi feito durante a "realização" de seus sonhos. Adina também se apresenta. A diretora artística do grupo e do centro Nalaga'at conta um pouco da história e convida "a todos a serem nossos embaixadores, a contar a todos tudo que viram aqui", todo o trabalho feito pelo elenco de doze pessoas com deficiência somado aos outros doze intérpretes e contrarregras. "Não só de pão" faz a plateia sentir na pele, nos ouvidos e no olhar um pouco da rotina dessas pessoas tão especiais.

Mais informações sobre o centro Nalaga'at podem ser encontradas em http://www.nalagaat.org.il/get.php



Comentários Comentários Postados
GladysOconnor[25/07/2011 - 08:53]

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