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30/07/2010 - 15h15 - Atualizado em 06/02/2012 - 17h41

Brinde à liberdade

Por Rodrigo Oliveira, Editor do site

Baseado em original estadunidense, musical "O Despertar da Primavera" discute temas polêmicos em período opressor

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Reprodução
Cena da peça

A juventude com os olhos vendados diante de uma época de descobertas. Questionamentos desconcertantes para pais e responsáveis pela criação e sustentáculo da moral e valores dos jovens. Desejos incontroláveis entrando em embate com a culpa e normas aplicadas, de que qualquer comportamento fora dos padrões é considerado ato de rebeldia e pecado. Diante dessas situações, O Despertar da Primavera conta a história de jovens em busca da liberdade, que dará sentido às suas vidas.

Melchior, interpretado por Pierre Baitelli, é um adolescente atípico, que discorda do tratamento e ideias que os adultos e docentes tem com os jovens. Confronta o professor, tomando partido do amigo Moritz, vivido por Bruno Sigrist, aluno com baixo rendimento na escola e perturbado pelas questões hormonais da idade. Visto por muitos como um rebelde, Melchior absorve seus ideais de livros. É um garoto dedicado à suas leituras e esclarecido, compartilhando seu conhecimento - inclusive sobre sexo - com Moritz.

Curiosa e com espírito desbravador, Wendla, papel de Malu Rodrigues, pergunta à mãe como sua irmã engravidou; querendo a resposta a todo o custo. Encabulada, a progenitora distorce o que foi questionado e muda de assunto. Mal sabia, que mais tarde, essa falta de diálogo entre as duas, traria graves consequências ao futuro da filha.

O musical possui momentos marcantes, como os encontros entre Melchior e Wendla. A química do casal em cena é indiscutível e parte deles o ponto de virada do enredo, que cessa no final do primeiro ato.

O envolvimento dos jovens protagonistas é somente um dos motes do espetáculo, que discute ainda a questão da homossexualidade, presente no segundo ato - parte mais dinâmica do musical. Hanschen (Thiago Amaral) e Ernst (Felipe de Carolis) são as duas personagens responsáveis por retratar essa descoberta. O primeiro é dono de si e não se priva de suas vontades, já o outro é tímido e recatado; dominado pelo medo de que é errado sentir atração por outro homem. A cena é bem pontuada, mesclando leveza, bom humor e realismo, exposto através de um ardente beijo.

O elenco traz ainda Laura Lobo, que dá vida à Martha, garota violentada sexualmente pelo pai. Danilo Timm, interpretando Otto, é dono de uma voz impressionante e com uma técnica magnífica, ousando na extensão vocal. Débora Olivieri e Eduardo Semerjian são os responsáveis pelos papéis de todos os adultos presentes no musical, utilizando-se da versatilidade que todo o ator deve possuir.

As letras de algumas músicas deixam a desejar, pela puerilidade poética, que muitas vezes não combina com os temas fortes encenados. Mas canções como Nessa Merda de Vida e Meu Vício, complementam a intenção passada em cena, por estarem enraizadas ao assunto tratado durante o ato.

O Despertar da Primavera é criação do dramaturgo alemão Frank Wedekind. Seu texto foi adaptado em 2006 e obteve êxito na Broadway. No Brasil, a montagem ficou a cargo de Charles Möeller e Claudio Botelho, conseguindo boas críticas, além de receptividade do público. Fica claro que o motivo do sucesso do musical em terras tupiniquins vai além dos temas polêmicos, como gravidez na adolescência, aborto, incesto, suicídio, entre outros. Ele se deve ao elenco bem entrosado, cantores preparados e focados e premissa que causa identificação no público-alvo, jovens que prezam pelo amor sem culpa e liberdade sempre.

Serviço

O Despertar da Primavera
Teatro Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 - 6º andar - Consolação
Informações: (11)3472-2226/ 2229-2230
Em cartaz até dia 15 de agosto



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