Mônica Martinez e Rosemary Bars Mendeza vencem um desafio e publicam livro com histórias de notáveis comunicólogos nacionais
Em 2005, Rosemary Bars Mendez, atualmente professora da Unimep e da PUC-Campinas, fez uma sugestão: “Que tal um livro de perfis de pesquisadores de Comunicação Social?” Mais que um currículo, que pode ser rapidamente verificado na plataforma Lattes, a intenção era trazer à tona a vida desses comunicólogos que muitas vezes é ocultada por suas vastas obra e carreira. A provocação estava lançada.
Organizado pelas jornalistas e pesquisadoras Rosemary e Mônica Martinez, o livro “Mestres da Comunicação” (Editora Phorte, 2010) redescobre nomes da Academia, como Dulcília Buitoni, que é membro do corpo docente do mestrado da Faculdade Cásper Líbero e também professora titular da ECA-USP. “Mercado e Academia: Buscando a Conciliação” conta a história da pesquisadora segundo Gisely Hime, doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Neste capítulo, é descoberta uma Dulcília que preferiu começar pela graduação em Direito ao invés de logo descobrir o ensino em jornalismo, na época oferecido apenas pela Cásper.
Vinda de um colégio religioso exclusivo para meninas, Dulcília foi a terceira colocada na lista de aprovados pela escola do largo São Francisco. Com a fundação da Escola de Comunicações Culturais na Universidade de São Paulo (ECC-USP), a antiga ECA-USP, um novo vestibular foi prestado e, na lista de alunos para a primeira turma de jornalismo da USP, estava seu nome.
A autora Gisely Hime contextualiza a trajetória biográfica da perfilada com os acontecimentos da época e seus trabalhos. A criação dos primeiros cursos de jornalismo no Brasil funde-se aos primeiros passos na carreira noticiosa que Dulcília tomaria, começando em Notícias Populares e na editora Abril. A pesquisadora relembra uma preferência que se prolonga aos dias atuais, visto que estudantes de jornalismo podem ter anexadas às primeiras aspirações um estágio em grandes veículos, como na época eram as revistas Realidade e Veja. No entanto, Dulcília começou na Intervalo, uma publicação de entretenimento que tratava de shows, cinema, teatro e televisão. Foi ali, no entanto, que ela começou a absorver a primazia do fazer jornalístico, num veículo de assuntos “mais levianos” que política.
E para quem imaginava que Dulcília fosse se limitar ao mercado, acaba notando em seu perfil que ela se desenvolveu graciosamente no ramo acadêmico. Aproveitando a formação humanística adquirida na ECA-USP, a recém-formada em Direito e Jornalismo arrematou O quadrado amoroso: algumas considerações sobre a narrativa de fotonovela, sua dissertação de mestrado sobre fotonovelas de revistas como a Contigo, fazendo a junção entre literatura e comunicação. No doutorado, seu interesse pelo feminino na comunicação permaneceu na pesquisa intitulada Mulher de papel: a representação da mulher na imprensa feminina brasileira. Hoje, Dulcília é considerada especialista em jornalismo segmentado com foco no público feminino.
O jardim secreto de Baitello
“Vínculos Humanos: Comunicação, Corpo e Vida” foi escrito por Dimas A. Kunsch, coordenador dos cursos de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero. O perfil de Norval Baitello Junior, professor da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC de São Paulo, registra um pesquisador que se orgulha ao apresentar sua plantação de alhos-poró e garlic chive (erva africana híbrida de cebola e alho), localizada em Mairinque, interior de São Paulo. “Ele adora também encher o carro do visitante de verduras”, conta José Eugênio Menezes, que, além de também ser professor da Cásper, é amigo de Baitello.
O gosto pela jardinagem gera uma reminiscência da década de 1980, quando Baitello e seu filho Ricardo, em Berlim, resolveram cultivar flores na área nada verde do prédio em que moravam. Em vez de pedras, os dois encontraram na terra do canteiro bolinhas de chumbo de uma guerra terminada quase quarenta anos atrás. É escavando que Baitello encontra partes de sua obra que reúne estudos sobre dadaísmo, Dietman Kamper, Harry Pross e Ivan Bystrina. São narrados episódios em que Baitello se encontra com esses pesquisadores internacionais, os quais são bibliografia obrigatória aos que estudam iconofagia e semiótica da cultura. Mais, Kunsch permite ao leitor um mergulho pela vida pessoal de Baitello, tendo a volta à superfície arrematada pelo nascimento da filha Maria Eduarda, traduzido em versos anunciados pelo subtítulo “Silêncio”.
Estão reservados a “Mestres da Comunicação” perfis de Jair Borin (docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, falecido em 2003), Wilson Bueno (especialista em comunicação empresarial), Manuel Carlos Chaparro (pesquisador lusitano focado na narrativa jornalística), Boris Kossoy (redescobridor de Hercule Florence, francês naturalizado no Brasil, considerado inventor da fotografia antes mesmo de Daguerre), Edvaldo Pereira Lima (idealizador do jornalismo literário avançado), Cremilda Medina (pesquisadora com mais de quarenta anos de atuação no jornalismo), José Marques de Melo (pesquisador sobre o pensamento comunicacional latino-americano) e Lucia Santaella (pesquisadora de semiótica que transita pelas mais diversas áreas da comunicação, agora com foco no videogame e na matemática).
Mestres da Comunicação
208 páginas
Editora Phorte
Preço: R$39,00
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