Como um jornalista crítico de cinema se prepara para atuar em sua área
Crítico de cinema dos segmentos VEJA São Paulo e VEJA Rio, Miguel Barbieri Jr. fala sobre sua experiência na área, bem como a respeito do cinema brasileiro. Formado em Jornalismo pela PUC, em 1982, Miguel inicia sua carreira no Diário Popular (atual Diário de São Paulo) em 1992, e só no ano 2000 começa a trabalhar em VEJA. O ex-dono de uma vídeolocadora descreve sua paixão pela sétima arte e afirma a importância das novas mídias no meio cinematográfico.
Como surgiu o seu interesse para trabalhar com crítica cinematográfica?
Sempre gostei de cinema, desde criança. E quando entrei na faculdade de jornalismo o primeiro assunto em que pensei em me especializar foi cinema –inclusive fiz um curta em super-8 como trabalho de conclusão. Tive videolocadora durante 12 anos e isso foi mais um empurrão para eu me dedicar à crítica cinematográfica.
Qual é a sua opinião a respeito da modernidade oferecida pela internet, e pela acessibilidade ao conteúdo de filmes, oferecida por blogueiros?
Eu acho a internet fantástica. No meu tempo, quando comecei a exercer, não existia nem computador. Andava pra cima e pra baixo cheio de catálogos, livros de referência, fichas técnicas... A internet agilizou a recepção das informações e quando a gente depara com um site como o imdb não consegue se imaginar sem estas ferramentas. Os blogs só chegaram para agilizar ainda mais este conteúdo.
Conhece ou indicaria algum blogueiro expressivo nessa área?
Sinceramente não acompanho muitos blogs. Quando dá tempo, leio os de alguns colegas para saber o que eles pensaram a respeito de determinado filme. Mas não sigo ninguém em especial.
Qual é a importância das novas redes sociais (Twitter / Orkut / Facebook, etc) no seu relacionamento com o leitor? Acredita que este é um canal mais acessível do que cartas ou e-mails, por exemplo?
Com certeza, Twitter e Facebook trazem uma rapidez inacreditável. Sem dúvida, a informação chega bem rápida através destas redes sociais. Acredito que se eu escrevo algo que agradou algum seguidor, ele poderá, sim, tornar-se meu leitor na Vejinha.
Dentre todos os festivais de cinema, qual você considera o mais democrático?Há uma infinidade de festivais no Brasil, já me falaram em mais de 500. É um número absurdo. Acredito que os tradicionais, como Gramado e Brasília, têm ainda sua importância histórica. Paulínia, sem dúvida, trouxe de volta o glamour do passado. Democrático? Não sei dizer.
O cinema no Brasil ainda está em desenvolvimento, e o público ainda prefere os filmes americanos, por exemplo. Você acha que isso faz com que o cinema brasileiro ainda não possa ser considerado a nossa sétima arte, tornando-o menos reconhecido e aclamado?
O cinema no Brasil já teve várias fases: Chanchadas, pornochanchadas, Cinema Novo... Vivemos um momento plural. Há coisas ótimas, mas há também trabalhos lamentáveis, inacreditavelmente ruins, que são bancados por nós mesmos. O Brasil consome mais filme americano porque é o que tem mais publicidade, melhor marketing, atores bonitos, histórias comoventes. Neste sentido, estamos, sim, aprendendo. Mas acredito que sempre foi assim. Hollywood sempre dominou o mercado.
Que tipo de formação é necessária para trabalhar em VEJA como crítico de cinema?
Precisa saber escrever bem, ser informado, gostar do que faz, vestir a camisa da sua profissão. Eu trabalhei durante muitos anos no Diário Popular (agora Diário de SP) e lá ganhei experiência de repórter. Como sempre gostei e sempre vi muito cinema, tinha uma boa bagagem quando fui contratado para trabalhar na Vejinha. Isso só se intensificou nos meus dez anos de trabalho aqui.
Qual é o maior desafio durante a classificação de um filme, na medida em que deve sempre seguir um padrão escolhido pela VEJA? (bomba; uma, duas, três, quatro ou cinco estrelas)
É realmente saber se o público/leitor vai ou não concordar comigo. Tem filmes de arte que eu posso gostar, mas seria um erro dar um número exagerado de estrelas para algo que pouquíssimas pessoas vão aprovar/entender/gostar. Meu compromisso, antes de mais nada, é com o leitor. É orientá-lo da melhor maneira possível.
Você acredita que, a longo prazo, a Internet substituirá mídias como rádio, jornais e revistas ou isso é apenas um discurso apocalíptico?
Vai substituir para quem não liga em ler notícias e reportagens pela internet. Eu, particularmente, só gosto de ler notas curtas. Textos mais longos, prefiro no papel.
Poderia citar características típicas de um filme que você classificaria como bomba? E um 5 estrelas?
Eu dou bomba para filmes que não merecem nem serem vistos. O filme brasileiro Segurança Nacional, por exemplo, é estúpido enquanto história/roteiro e péssimo enquanto realização. É uma bomba em todos os sentidos! Cinco estrelas, só para filmes sublimes. Uma das minhas únicas 5 estrelas foi para O Segredo de Brokeback Mountain, que considero um filme impecável: técnica ótima, atores perfeitos, tema ousado e oportuno, roteiro formidável.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.