Após recesso de quatro anos, Christina Aguilera retorna com álbum cheio de batidas eletrônicas
A adolescente que cantava o tema do filme Mulan, pouco antes de estrear no topo das paradas com três dos quatro singles do primeiro cd. A garota com trajes mínimos, despindo os sentimentos mais íntimos, na fase obscura que vivia na época do disco Stripped. A interprete de blues, jazz e soul music, relembrando os bons tempos onde Minnie Riperton, Gladys Knight, Billie Holiday, Leena Horne, Etta James, Ray Charles, King Cole, Miles Davis e outros imperavam no meio musical, com o esplêndido Back to Basics. Christina Aguilera não lembra em nada a cantora de tempos atrás.
Com novo álbum no mercado, intitulado Bionic, ela traz à tona os mesmos ritmos, beats, que estão nos charts atualmente. Especulou-se muito a respeito do disco e grande expectativa foi depositada, devido à demora do lançamento, mas a cantora retorna com uma obra pouco original.
Apostou na música Not Myself Tonight para primeiro single. Canção funcional, com refrão fácil de grudar nos ouvidos, mas que na semana de estreia amargou o 23° lugar nas paradas da publicação Billboard, melhor posição alcançada desde o seu lançamento. Pouco antes do cd chegar às lojas, Aguilera havia dado alguns aperitivos do que viria por aí: interpretou Lift Me Up - canção de Linda Perry, compositora de seu sucesso Beautiful - no concerto para arrecadar dinheiro para as vítimas da tragédia no Haiti, promovido pelo ator George Clooney e a MTV. Em seu site oficial disponibilizou a faixa Woohoo, parceria com Nicki Minaj e na final do programa American Idol cantou You Lost Me, um dos poucos acertos da nova produção.
O álbum é repleto de participações de artistas que figuram fora do mainstream - lugar que Aguilera não arreda o pé. M.I.A. contribui na faixa Elastic Love, que conta com intervenções de sintetizadores, descaracterizando assim o que a cantora tem de mais chamativo: sua voz potente. Peaches divide os vocais na canção My Girls. Completam a lista o pessoal do Ladytron, Johanna Fateman e JD Samson do Le Tigre e Sia Furler. Esta última, responsável pelas melhores músicas presentes no álbum e que lembram a boa e velha Christina Aguilera, em canções tocantes como All I Need, I Am e a estupenda You Lost Me, em que a interpretação da cantora traduz perfeitamente o clima trágico da letra, que preza pela simplicidade dos versos fortes.
Triste constatar o fracasso dela ao excursionar por um universo onde fica evidente o seu desconforto. Desnudate e Vanity são músicas com letras vazias e de um mau gosto desmedido. O exagero no uso de palavrões também prejudicam o álbum. Não é à toa que o selo Parental Advisory Explicit Content está estampado na capa do disco. Além do conteúdo de algumas canções, o encarte possui fotos em que a cantora aparece em poses provocantes, outro fator que colabora para a aplicação da marca.
Bionic estreou na terceira posição da parada dos EUA, perdendo o topo para as trilhas do seriado Glee e filme Eclipse, respectivamente. No Reino Unido chegou ao primeiro lugar, mas na semana seguinte entrou para a história, graças a um recorde negativo: caiu do topo para a 29ª posição, feito nunca antes alcançado.
Christina Aguilera deixou os fãs numa ansiedade incontrolável até a chegada do novo cd; um álbum menor em relação aos seus dois últimos trabalhos. As músicas são repletas de efeitos, criando uma atmosfera fake ao decorrer das faixas.
Com Bionic, lançou um disco dispensável, trilhando o mesmo caminho de muitos artistas, que tem como intuito conquistar as pistas de dança, com o toque eletrônico depositado nas músicas. Esqueceu de priorizar a sua ousadia contextualizada, já explorada em Stripped ou a originalidade, marca registrada na homenagem aos grandes realizadores do passado, tão evidente em Back to Basics. Resultado: a cantora multifacetada se perde em meio à mesmice do cenário musical atual.
Comentários Postados
Não acho a nota de um todo ruim, pois como profunda admiradora do trabalho de Aguilera, tenho todos os álbuns e o Bionic não é meu favorito. Entretanto, não acho que alguém que alcance 4 oitavas e prova sua qualidade como cantora e compositora o tempo todo precise cantar sempre essas 4 oitavas. Acho que ela correu o risco de fazer algo novo dentro do que ela já fez e que saiu muito melhor do que a maioria. Mesmo nas faixas mais simples, a estrutura melódica é bem superior. Quem sabe se você estudar um pouco sobre composição, você seja capaz de perceber esses detalhes. Abraços, Bárbara.
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