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21/06/2010 - 17h24 - Atualizado em 08/02/2012 - 16h01

Helena Jacob

Renan Goulart, 2º ano de jornalismo

Conheça a professora de Design Gráfico e Jornalismo em Revistas e  coordenadora de Trabalhos de Conclusão de Curso

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Helena Jacob, que já trabalhou em periódicos como Destak e Valor Econômico, 
prioriza a versatilidade de um jornalista, capaz de atuar em qualquer meio

Devoradora de papeis, ela é apaixonada por revistas, as quais sempre gostou de colecionar. Até deixava de tomar lanche na escola para poder comprar as últimas edições de seus títulos favoritos. O hábito da leitura está presente em sua vida desde a infância, quando era incentivada pelos pais, que liam diariamente a falecida Folha da Tarde. “Sempre gostei do jornalismo impresso. Nunca pensei em fazer jornalismo para trabalhar em outro segmento, apesar de gostar de rádio”, conta Helena Jacob, professora de Design Gráfico e Jornalismo em Revistas e coordenadora de Trabalhos de Conclusão de Curso, na Faculdade Cásper Líbero.

Decidida quanto à profissão, Jacob se graduou na UNESP, em Bauru, e saiu de lá com experiência em redação e vontade de trabalhar com arte. “Tive aulas de Planejamento Visual e foi algo pelo qual me interessei, porque sempre gostei muito do visual das revistas, do acabamento”, diz. Por estudar em uma universidade, era possível assistir às aulas de outros cursos. “Assistia às aulas com o pessoal de Programação Visual, Produção Gráfica e História da Arte. Assim, fui pegando trabalhos de diagramação para fazer na própria faculdade. Fui me interessando cada vez mais pelo assunto.”

Meses após terminar o curso, surgiu a oportunidade de trabalhar como diagramadora no recém-criado jornal esportivo Lance!. A experiência foi “sensacional”, ela comenta. “Eu era trainee e ganhava muito pouco, mas estava em um ambiente de redação nova e em ano de Copa do Mundo [França-1998]” lembra a professora, que considera esta uma de suas melhores experiências no jornalismo.

Aos poucos, Jacob mirou para trabalhar em revista. “No Lance! já havia feito alguns projetos de revista, mas a estrutura e o pensamento eram muito diferentes porque eram projetos do jornal. Tinha muita vontade de trabalhar com revista, de ter essa experiência”, declara. Em 2000, começou a trabalhar no jornal Valor Econômico, na editoria de “Consumo e Comportamento”, da qual surgiu a revista Estampa. “Ela [Estampa] não era simplesmente uma revista de jornal. Era uma revista com todos os cuidados gráficos, com uma equipe”. Porém, sua grande escola foi a editora Abril, para onde foi após sua saída do Valor, por conta de um dos grandes cortes relacionados à crise pela qual o jornalismo passava na época.

Nesse período, Jacob começou a fazer seu mestrado em Comunicação e Semiótica (pela Pontifícia Universidade Católica), o qual terminou em meados de 2006, quando se envolveu com o lançamento do jornal Destak. Esse mestrado, aliás, foi a junção “da fome com a vontade de comer”, como ela define. Em sua dissertação, sob o título Comer com os olhos: estudo das imagens da cozinha brasileira na CLAUDIA, a professora revela mais uma de suas paixões: receitas e, claro, revistas de gastronomia. “Sempre fui uma colecionadora de Claudia Cozinha. Tenho uma coleção enorme em casa, mas jamais farei todas aquelas receitas. É uma paixão por ver, não necessariamente por comer”, explica.

Foi em janeiro de 2009 que lhe surgiu a oportunidade de se juntar ao corpo docente da Cásper. “Estava procurando uma chance de dar aulas, de colocar o diploma de mestrado em prática”, diz Jacob, que à Cásper chegou após ter passado um período na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde havia conciliado os trabalhos de diagramadora e professora. Atualmente doutoranda, ela não tem emprego fixo em redação, o que, enfim, acaba sendo inconciliável com as atuais atividades. E depois do doutorado? “Sinto saudade de trabalhar em uma redação. Se pintar uma oportunidade, provavelmente não vou resistir. É difícil quando você é mordido pelo ‘bicho das redações’”, brinca.

Sua disciplina não só estuda a visualidade das revistas. “O primeiro semestre é bastante visual, mas depois estudamos a revista como um todo: as pautas, o texto, até o produto final”, explica. Um trabalho prático é proposto durante o ano, para que os alunos coloquem em prática aquilo que aprenderam. “Defendo muito em sala de aula a importância de o jornalista possuir noções de arte. O entendimento da visualidade lhe permite planejar mais seu próprio trabalho, além de isso ser fundamental nesse mundo convergente”, acredita.

Jacob acredita que o atual jornalismo brasileiro vive uma crise e que “é um momento de muitas mudanças. Não sabemos onde vamos chegar, mas eu aposto no impresso, que não acredito que irá acabar.” Para ela, a convergência é inevitável. “É uma estratégia burra concorrer com a internet. É preciso trabalhar com o jornalismo digital, que ainda é muito fraco, e tentar melhorá-lo.” Em tempos de jornalismo colaborativo, a professora acredita que “ser jornalista é ter um pé na internet e um pé nos outros meios; tem que ser versátil”.



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