Em meio a uma sociedade com interesses tão diversificados entre si, o jornalismo especializado aparece para suprir a necessidade de informações específicas dos mais diferentes assuntos e de uma forma mais profunda possível. Uma das áreas que merece interesse especial da mídia é a educação, constituindo o chamado jornalismo educacional. Mesmo dentro deste setor, há possibilidades de fragmentação, à medida que variados temas podem ser abordados, como, por exemplo, o mundo dos vestibulandos e os problemas da educação brasileira.
Anualmente, milhares de jovens de todas as regiões do país se preparam para um dos momentos decisivos de suas vidas: o dia do vestibular. Só em 2010, a Fuvest, instituição que realiza o vestibular para o ingresso na Universidade de São Paulo, recebeu aproximadamente 130.000 inscritos. Mantê-los atualizados a respeito do que está ocorrendo nas universidades é fundamental, fornecendo informações como leituras obrigatórias, datas de inscrição e mudanças ocorridas anualmente nas principais universidades do país. Patrícia Gomes, repórter do Fovest, suplemento do jornal Folha de S. Paulo especializado em vestibulares, reforça a importância do caderno para essa parcela da população: “Os vestibulandos são um público bem desesperado. As informações que mais vendem são dicas e serviços, coisas legais e interessantes de saber enquanto se prepara para o vestibular”.
Agora, no primeiro ano do curso de Letras da Universidade de São Paulo, a recente ex-vestibulanda Maria Beatriz conta que o Fovest a ajudou fornecendo informações a respeito de modelos de provas, horário dos exames e os documentos necessários para o dia da prova. “É uma informação bem direta e rápida, além de ser muito prático: já está lá”, afirma Maria. O conteúdo dinâmico, básico e concentrado é muito bem vindo, pois, com ele, o candidato não precisa se preocupar em buscar as informações em outros meios. “Com uma olhada rápida, que não toma nem dez minutos, já podemos ficar bem informados a respeito do que está acontecendo”, lembra Maria. A universitária de 19 anos conta que sua mãe também tinha o hábito de ler o caderno: “Minha mãe sempre olhava o caderno, porque tinha medo de perder o horário e não sabia entrar no site Fuvest”.
As idéias para as capas e para as matérias surgem de diferentes formas. Patrícia aponta que as inspirações podem vir de datas específicas, de algum pedido dos leitores ou também provenientes de uma visita ao “cursinho” (curso preparatório para vestibulares). Com certa periodicidade, a repórter procura assistir às aulas dadas em instituições que oferecem esse serviço. Segundo ela, estas checagens permitem entender o que os vestibulandos estão pensando, quais são suas dúvidas e o que os aflige. “Eu tento ir com alguma freqüência, para não ficar muito longe do leitor”, comenta. Conforme são recolhidos os assuntos de interesse do público-alvo, a equipe da Fovest pensa em uma pauta que seja didática e não óbvia, para que, então, possa trabalhar nas matérias que serão publicadas no caderno.
Ajuda online
A internet exerce um papel fundamental na busca por informações, principalmente em termos de educação. De acordo com pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2007, educação e aprendizado resumem o principal motivo que leva as pessoas acessarem a internet, no Brasil. Cerca de 90% dos estudantes entrevistados afirmam usar a internet com tal finalidade. O próprio caderno Fovest possui uma extensão do seu conteúdo no site da Folha Online, em forma de blog. Esse recurso traz muitos benefícios, principalmente em termos de espaço, explica Patrícia: “No blog, a gente pode publicar coisas que não cabem no caderno”. A repórter exemplifica esse conteúdo como filmes que estejam em cartaz, peças de teatro, além de histórias de jovens que superaram grandes adversidades e conseguiram a tão sonhada vaga no faculdade. Patrícia considera o blog muito útil, pois uma grande quantidade de informações precisa de publicação imediata e o caderno só circula às terças-feiras.
Gomes, que faz parte da equipe do Fovest há aproximadamente um ano, avalia de forma positiva seu trabalho em uma área do jornalismo especializado: “Você consegue se especializar mesmo, falar com propriedade”. Patrícia acredita que o trabalho diário com o jornalismo segmentado dá ao profissional mais firmeza e foco ao falar de determinado assunto. “Trabalhar numa mesma área do jornalismo me dá segurança para falar sobre alguns assuntos que dizem respeito ao vestibular e ao ensino superior. Eu não me sentiria tão firme se cobrisse de tudo, como acontece no caderno Cidades”, afirma Patrícia. Além disso, a repórter comenta que o trabalho voltado a um determinado setor permite que o jornalista forme uma agenda de contatos muito interessante.
Os principais veículos impressos de São Paulo, que abordam o vestibular, são: o Fovest (publicação semanal do jornal Folha de S. Paulo), o PontEdu (caderno mensal do jornal O Estado de S. Paulo) e o suplemento do jornal O Globo (uma mistura de Folha Teen com temas de vestibular, muito semelhante ao Fovest). Há também o Guia Abril do Estudante, publicação anual do Grupo Abril que concentra uma densa quantidade de matérias que abordam temas da atualidade. Já na internet, a realidade é outra: praticamente todos os principais canais de comunicação possuem uma área voltada a educação, a exemplo do G1 (site de notícias da Rede Globo), o R7 (site de notícias da Rede Record) e o UOL Vestibulares. Patrícia afirma que todos esses portais possuem excelentes coberturas educacionais, assim como a versão online dos jornais impressos já citados.
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