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11/06/2010 - 09h34 - Atualizado em 06/02/2012 - 06h08

Por baixo da Peruca

Por Giulia Afiune, aluna do 1º ano de Jornalismo

Em entrevista, Edson Celulari fala de teatro e Lei Rouanet

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Reprodução
Simone Gutierrez e Edson Celulari em cena

Edson Celulari encarou um desafio ao interpretar a mãe da protagonista Tracy, no musical Hairspray, que acaba no próximo dia 13. Em entrevista, fala sobre a responsabilidade social do teatro, incentivo à cultura e o fim da temporada do musical.

Atualmente está ocorrendo um grande debate sobre as limitações da Lei Rouanet, inclusive com novos projetos de mudança na legislação. Na sua opinião, quais são os principais pontos falhos da Lei?

A lei não é perfeita, mas é fundamental para a vida cultural do país. Gerar arte e cultura para os cidadãos e diferentes grupos sociais é responsabilidade do governo e a Lei Rouanet permite isso. Apesar de ter melhorado muito o financiamento da cultura em relação ao que era antes, ela tem que ser viva e poder se transformar.
O incentivo à cultura não deve estar atrelado aos interesses do partido que está no poder, porque a arte necessita de liberdade de expressão. O governo atual fez um trabalho interessante de resgate do folclore, expressões culturais indígenas e de classes sociais menos favorecidas, mas não pode deixar de patrocinar o que já vinha acontecendo.

Qual é a importância e o papel social do Teatro no desenvolvimento social e humano da população?

É uma responsabilidade enorme, mas ao mesmo tempo com um espaço pequeno de interferência. Você vai modificar sua cabeça assistindo a um espetáculo? É muito difícil que isso aconteça, mas talvez o hábito de ir ao teatro regularmente possa promover essa mudança. O Teatro tem a força de ser ao vivo, presente, e por isso, em regimes totalitários, é a primeira arte a ser censurada.
Em relação ao desenvolvimento social, pode ter grande importância, não só transformando as pessoas de classes sociais menos abastadas em público, mas sendo também um meio de fazer aquela comunidade se expressar.

Os projetos com grande visibilidade e figuras já consagradas, como é o caso de Hairspray, são mais atrativos para os investidores e público em geral. Como as peças menores, com atores pouco conhecidos e diferentes abordagens podem conseguir um patrocínio?

Acho que a lei está preocupada com isso. Ela tem que abrir espaços que deem uma chance a novas produções, mas sem deixar de lado os antigos. Não é porque uma peça tem atores globais que é fácil conseguir patrocínio ou necessariamente vá fazer sucesso. O nome é só um primeiro atrativo, mas o que garante a continuidade é a bilheteria.
Teatro brasileiro é bacana por ser democrático: tem espaço para o teatro de vanguarda, experimental, clássico, comercial... Tanto uma peça comercial quanto uma feita na favela são válidas e devem ser patrocinadas, desde que sejam competentes. Mas é preciso um equilíbrio na distribuição de verba para essas diferentes produções culturais.

Tanto o filme, estrelado por John Travolta, quanto o musical Hairspray atingiram um grande público e conquistaram muitos fãs ao redor do mundo. No Brasil, especificamente, a que você atribui esse sucesso?

Todo trabalho precisa ser pleno e consciente, em todos os seus aspectos. O sucesso é decorrente da competência da produção, que no caso do Hairspray, aconteceu desde a escolha do elenco até o trabalho do Miguel Falabella, na adaptação e direção do espetáculo.
Apesar de ser uma peça americana, tem um humor que chega no brasileiro. Trata com leveza assuntos como a segregação racial e exclusão daqueles que estão fora de um padrão de beleza, o que leva à identificação da plateia com as personagens.

Como estão sendo os últimos momentos da temporada de Hairspray?

Continuamos nos empenhando sempre e felizes com a reação da plateia. Além disso, é muito bom fazer teatro com uma boa coxia, ou seja, um bom bastidor, que durante um tempo é como uma nova família. A despedida é um momento triste, mas estamos curtindo os últimos instantes dos nossos personagens, pois é isso que nos dá alegria e prazer. Além de ver o público se divertindo e se divertir junto com ele.