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09/06/2010 - 10h40 - Atualizado em 21/05/2012 - 15h50

Obstáculos do Oriente Médio em Antes da Lua Cheia

Por Lays Ushirobira, aluna do 2º ano de Jornalismo

Novo projeto de Bahman Ghobadi pela Mij Films

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Reprodução
Cartaz do filme

Produzido em 2006, numa parceria entre Irã, Áustria, França e Iraque, Antes da Lua Cheia estreia nos cinemas brasileiros. O filme inteiramente realizado no Curdistão iraniano, enfatiza algumas das principais barreiras encontradas no Oriente Médio, como a falta de liberdade de expressão e o conflito entre povos.

Mamo, interpretado pelo ator Ismail Ghaffari, é um famoso músico curdo que, depois da queda de Saddam Hussein, recebe permissão para tocar em um concerto no Iraque. A personagem passou 35 anos sem poder se apresentar, impedido pelo governo do Irã. Apesar de um ancião da aldeia onde vive ter previsto acontecimentos ruins em sua vida, no período da lua cheia, ele resolve seguir a viagem juntamente com os filhos.

Nesta jornada conta com a ajuda de Kako, vivido por Allah Morad Rashtiani, um de seus maiores fãs, que se compromete a levá-los até seu destino através de um velho ônibus de um amigo. Encontram inúmeros obstáculos para atravessar a fronteira entre um país e outro, passando por algumas situações cômicas e outras dramáticas. Mamo também quer que Heshow integre a banda. No entanto, a potência da voz da cantora – papel da atriz Hedieh Tehrani – diminui quando perde sua autoconfiança. Ela é substituída, então, por Niwemang, personagem de Golshifteh Farahani.

O quarto longa do iraniano Bahman Ghobadi é bem diferente do que estamos acostumados a ver no cinema, por isso é fundamental ter o mínimo conhecimento sobre a trajetória deste premiado diretor e roteirista para entender a obra. Nascido na província do Curdistão no Irã, onde se encontram diversos grupos étnicos, fundou a empresa Mij Film em 2000, com o objetivo de apoiar a produção de filmes que dessem voz a esses povos que sofrem com a ausência de liberdade de expressão.

Assim, Antes da Lua Cheia segue na mesma linha de materiais já produzidos por Ghobadi, que tem repercussão devido à abordagem de temas polêmicos. Além disso, o filme ilustra o patriarcalismo ainda existente nas famílias tradicionais e conta com uma trilha sonora excelente, feita pelo compositor iraniano Hossein Alizadeh, indicado ao Grammy em 2007. A somatória de tudo isso teve bons resultados, pois o longa recebeu vários prêmios, dentre eles: Melhor Direção de Fotografia, o Prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema e a Concha de Ouro no 54º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, Escolha do Público no 26º Festival Internacional de Cinema de Istambul, Menção Honrosa por Roteiro no Festival de Cinema de Tribeca, além do Prêmio Anistia Internacional no 4º Festival Internacional de Cinema IndieLisboa.



Comentários Comentários Postados
mona[14/10/2011 - 16:41]

Lindo filme! boa crítica.

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