Em coletiva, professora e historiadora da USP explica situação da Palestina e compara a realidade da região ao apartheid
No dia 26 de maio, a Faculdade Cásper Líbero recebeu Arlene Clemesha, pesquisadora de história árabe-israelense da Universidade de São Paulo. A professora, que viajou para a região dos territórios palestinos ocupados por israelenses, expôs, em uma coletiva organizada para os alunos do segundo ano de jornalismo, as conseqüências da construção do muro que separa Israel e Palestina.
Mesmo após 8 anos desde o início da obra, Clemesha revela que a realidade local transcende as informações divulgadas em jornais. “Israel é um Estado que se denomina democrático, mas não autoriza os palestinos a se alistarem no exército. Um cidadão que não pode servir à própria pátria não tem seus plenos direitos”, indica a historiadora. “A segregação lá é gritante. Há uma série de medidas que mantêm os judeus longe da realidade árabe. Considero o termo apartheid para explicar o contexto corretamente e tenho como válida qualquer ação que sirva de auxílio à questão”.
A complexidade e longa duração do conflito israelense-palestino fazem com que o assunto seja constantemente pauta de noticiários e de discussões calorosas entre cidadãos. No entanto, a grande distância entre os acontecimentos e o resto do mundo cria uma área cinzenta, a qual turva a visão do mundo em relação à disputa. Clemesha explica: “Só é possível compreender a verdadeira realidade palestina quando se freqüenta os campos de refugiados e as cidades divididas por muros”.
Na coletiva, a historiadora comentou que é comum pensar no muro de separação como somente uma barreira, mas que, na verdade, há diversos muros além do principal, os quais atravessam cidades e vilarejos. Há, também, disputas judiciais para evitar que os muros dividam ou englobem terras de palestinos, mas como são os israelenses que comandam o judiciário, as decisões tendem a favorecer Israel.
Para exemplificar a situação, Clemesha contou: “Judeus vêm de Jerusalém para rezar na tumba de Raquel (local de peregrinação judaica), que fica no coração de Belém. Então, o Estado de Israel criou uma estrada que liga uma cidade à outra, apenas para a peregrinação judaica”. A pesquisadora elucidou que são dois muros e uma estrada, a qual só tem acesso quem possui a chave do portão, ou seja, guardas do exército. “Toda uma região da cidade morreu devido ao muro. A idéia é poder ir e voltar sem ter de cruzar com nenhum árabe no caminho. Essa é uma ordem militar que, como qualquer outra, é extremamente cínica”.
Clemesha acusou a ordem militar, pois, segundo sua pesquisa, o documento que aprova a situação indica que o muro foi construído para evitar ações terroristas. É baseando-se nesse ponto que a professora concorda com o ex-presidente norte-americano, Jimmy Carter, ao falar que o que ocorre na região da Palestina é uma situação de apartheid.
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