A ficção seriada brasileira e a produção da Escola de Frankfurt renderam debate durante o segundo dia do 8º Fórum de Pesquisa. Na mesa “Indústria cultural e estudos sobre telenovela”, professores e alunos de graduação e pós-graduação aproveitaram as exposições de três trabalhos para discutir questões associadas à telenovela e ao conceito de indústria cultural.
A mesa teve três trabalhos – o primeiro, “História da telenovela brasileira: questões de método”, de Sabina Anzuategui, seguido de “Telenovela, merchandising social e cidadania”, de Silvio Henrique Barbosa, e “As apropriações do conceito ‘indústria cultural’ nos estudos recentes de comunicação no Brasil – uma análise a partir das principais revistas acadêmicas”, de Maysa Rodrigues.
Resultado de pesquisa desenvolvida no Centro Interdisciplinar de Pesquisa (CIP) da Cásper Líbero, o trabalho de Sabina faz uma revisão crítica da bibliografia sobre telenovela no Brasil. Além de apontar obras de referência e discutir as fases e tendências do formato ficcional – como prefere chamar –, a professora e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP) enfatizou a necessidade de se haver cuidado à hora de elaborar uma bibliografia sobre o assunto. “Boa parte dos livros de base para as pesquisas de telenovela são dos anos 1980. Além disso, é preciso estar atento para obras que possuem graves erros contextuais e históricos”, ou.
A ênfase do debate se deslocou à relação entre mídia e cidadania na exposição do jornalista e professor Silvio Barbosa. Baseado em sua tese de doutorado, apresentada na USP em 2006, o trabalho discute a relação entre a teledramaturgia e a transmissão de mensagens de cunho social. Vídeos de telenovelas clássicas e depoimentos de autores e telespectadores fizeram parte da exposição do professor, que rendeu amplo debate junto aos participantes sobre as representações de classe, gênero e etnia na telenovela brasileira.
Já a exposição de Maysa Rodrigues, recém-graduada em Jornalismo pela Cásper Líbero e estudante de Ciências Sociais na USP, afastou-se da telenovela para retomar a apropriação e uso do conceito de indústria cultural na produção acadêmica brasileira. Por meio de um levantamento feito em revistas acadêmicas dos anos de 2004 a 2008, Maysa chegou a uma conclusão surpreendente: as ideias de Adorno e Horkheimer, autores de referência na chamada Teoria Crítica, até continuam sendo utilizadas – porém, com pouca profundidade. “Muitos autores citam a noção de indústria cultural e não a problematizam. É um equívoco, já que, no contexto das mídias digitais, o conceito se mostra extremamente atual e necessário à discussão”, concluiu.