Mesa do 8o Fórum de Pesquisa da Cásper Líbero discute história e perspectivas do rádio
O rádio, o som e suas articulações foram o tema da mesa “Estudos sobre Rádio”, realizada dia 19 de maio como parte das atividades do 8o Fórum de Pesquisa da Cásper. Apresentaram trabalhos a profa. Elisa Marconi, do curso de Rádio e TV, Eliane Calixto, mestre pela Cásper, e os professores Pedro Vaz, de Jornalismo, e Irineu Guerrini Jr., também de Rádio e TV. A mediação ficou a cargo do professor Luís Mauro Sá Martino.
A primeira exposição, de Elisa Marconi, foi sobre as emissoras de rádio jornalísticas que transmitem em FM. As rádios CBN e Band News foram as mais citadas para exemplificar essa realidade. Para ela, o crescimento desse tipo de rádio é uma tendência que se encaixa nas necessidades do ouvinte: “O rádio está presente no momento em que as pessoas precisam se informar”, explicou.
Em seguida, Eliane Calixto P. Dancur apresentou seu trabalho sobre o programa “Café com o Presidente”, feito como sua dissertação de Mestrado na Cásper. Segundo ela, os temas abordados são escolhidos pelo próprio presidente, que grava o discurso aos domingos em sua casa, muitas vezes em situações bastante informais. O programa vai ao ar às segundas-feiras, às seis horas da manhã, e é repercutido na mídia durante todo o dia, inclusive nos principais telejornais. O “Café com o Presidente” da Rádiobrás dura seis minutos e tem grande audiência, embora apresente falhas. “Falta crítica por parte dos jornalistas, que cultivam muito a imagem de Lula como ‘O cara’ e também interatividade, os ouvintes não se manifestam via telefone ou e-mail e isso enfraquece o programa”, observa Calixto.
A terceira apresentação ficou a cargo do professor e radialista Pedro Serico Vaz Filho, com uma pesquisa a respeito das notícias sobre rádio em jornais e revistas. A partir de uma extensa pesquisa com jornais e revistas dos anos 1920 aos 1990, Vaz mostrou que a mídia impressa cobria os acontecimentos do rádio, as principais estrelas, eventos e apresentações. Além de veículos especializados, como a Revista do Rádio e Radiolândia, havia colunas sobre o tema em jornais diários. No entanto, Vaz detecta um declínio nesse tipo de cobertura: “Hoje não se encontra nada sobre a rádio Eldorado no Estadão, por exemplo”, cita. O que, em sua opinião, não é bom: “Uma mídia potencializa o trabalho da outra, não exclui. Uma publicação que utiliza várias mídias tem maior alcance em termos de retorno do leitor ou ouvinte visado”, complementou.
Para finalizar, o professor Irineu Guerrini Jr. contou sobre três programas de rádios feitos por pessoas que sofrem de transtornos mentais – a experiência piloto da Rádio Tam Tam, em Santos, e propostas semelhantes desenvolvidas nas cidades de Amparo e Campinas. Guerrini enfatizou o quanto este trabalho melhorou o quadro delas e como todos são capazes de usar o rádio para crescer profissionalmente: “Deveria haver mais espaço no mercado para pessoas com problemas de saúde ou deficiências”, completou.