"Um Homem Sério" expõe cultura judaica em meio ao absurdo
O filme de Joel e Ethan Coen, começa com uma espécie de conto em yiddish (língua dos judeus do leste europeu), anos antes da época em que se passa a história. Numa aldeia da Polônia uma mulher assassina o rabino por pensar que era um fantasma, pois havia escutado que o mesmo estava morto. Desconexo do longa, o causo dá uma introdução à tragicomédia e humor negro típico da cultura judaica.
A película traz diversos “tipos” presentes no folclore ashkenazi (judeus ocidentais), a começar pelo protagonista, Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg), professor de física com uma vida um tanto entediante, mas isso parece não lhe incomodar até que recebe a notícia bombástica vinda de sua mulher: ela vai deixá-lo, pois está apaixonada por Sy Ableman (Fred Melamed).
Toda a família de Larry parece ter como ponto comum somente a casa onde moram, pois vivem em esferas completamente diferentes, não interagem nem se escutam. Enquanto a filha sonha com uma plástica no nariz, o filho foge do “traficante” da escola e tem seu walkman confiscado pelo professor de bar-mitzvah – cerimônia judaica que marca a maioridade perante a comunidade e a religião. Além disso, ainda há um tio fracassado que mora com a família e dorme no sofá.
Quando a vida o leva ao desespero, Larry sai em busca de auxílio emocional. Para isso conta com os três rabinos da cidade, porém os encontros com os religiosos não surtem efeito. Dentre histórias malucas e conselhos que estão no limite entre o interpretativo e a loucura, ele continua enfrentando os problemas.
O professor também não vai muito bem no âmbito profissional, já que um de seus alunos o acusa de ter sido injusto na avaliação de uma prova. Ele não reage, apenas demonstra passividade.
O judaísmo é explorado através da capacidade de unir o simbolismo sempre importante nessa cultura com o humor. O exemplo perfeito é o bar-mitzvah do filho de Larry, que por sua vez não está em condições de fazê-lo, mas ainda assim consegue e, ao finalizar, vai de encontro ao amedontrador rabino, que toma a atitude menos esperada, a mais compreensiva, leve e humana.
Tudo termina em uma grande tempestade, que corta o tédio e desarruma a vida, para que as coisas possam voltar ao seu devido lugar por conta própria. Afinal, nem tudo deve ser racionalmente compreendido.
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