Cultura virtual é tema das pesquisas reunidas na 9ª mesa do Fórum
A abertura do terceiro dia de discussões do Fórum de Pesquisa da Faculdade Cásper Líbero apresentou estudos sobre cultura de rede. A mesa “Estudos de Rede” contou com a participação do professor do Mestrado Walter Teixeira Lima Junior, como debatedor, da aluna de jornalismo Lídia Zuin, da jornalista Nathália Florencio, além dos professores da Cásper Liráucio Girardi Jr. e Newton Molon.
Lídia Zuin iniciou os debates com a proposta de análise de uma narrativa fictícia intitulada Serial Experiments Lain. Projetada como jogo para Playstation, a narrativa ganhou formato de anime e foi ao ar em 1998. O roteirista, Chiaki Konaka, propõe a conexão a internet sem dispositivos, usando a força da mente; a ideia do Wired Protocol 7. Cria-se a noção de (in)consciência coletiva, isto é, a formação de uma rede de pessoas conectadas, diluindo os limites entre o real e o virtual.
A estudante falou da importância do estudo em face à relação, muitas vezes tumultuada, entre o cotidiano e a realidade virtual. “A tecnologia acaba contaminada e influenciada pela subjetividade. É o desejo de ser salvo pela máquina”.
Nathália Florencio, jornalista formada em 2009 pela Cásper, tratou da questão do conteúdo infantil oferecido pela internet e a recepção de crianças entre dez e doze anos. A pesquisa revelou que os materiais destinados ao público infantil não são acessados por crianças. “Os jogos chamam mais atenção. As redes sociais também estão presentes, bem como sites com conteúdo adolescente ou adulto”.
Os dados revelam que os sites voltados para esse público compreendem uma faixa etária entre sete e 13 anos, o que dificulta a padronização de conteúdos. Nathália propõe uma segmentação da internet por idade. “Falta para o jornalista conhecer melhor o público infantil, o contexto no qual ele vive e as preferências de cada faixa etária”, afirma.
O professor Liráucio Girardi Jr. deu sequência às discussões contestando o uso de metáforas para entender a rede. “[As metáforas] não podem ser tomadas literalmente, elas têm de sofrer uma mediação”. Ele se refere ao conceito de conversação no mundo virtual. A ideia de que todos podem conversar não garante que todos conversem. E faz uma observação: “Não é porque uma rede garante que tenhamos uma relação distribuída na comunicação que ela se realizará dessa forma”.
Por fim, o professor Newton Molon abordou a questão das comunidades virtuais sob o ponto de vista político. Para ele, é preciso refletir sobre o material disponível para uso das novas mídias e o que, de fato, isso tem oferecido em termos de benefícios políticos. “Campanhas eleitorais contam com as novas mídias, como o Twitter”, declara Newton. Ele ressalta também que o político não tem obrigação de representar cada eleitor, mas sim, o coletivo.