Professor emérito da USP defendeu a imporância da pesquisa acadêmica para a sociedade
Começou dia 18 de maio o 8º Fórum de Pesquisa da Faculdade Cásper Líbero, evento que tem como objetivo divulgar a produção acadêmica da Faculdade. Trabalhos realizados no Centro Interdisciplinar de Pesquisa (CIP), Pós-Graduação e Mestrado da Cásper são apresentados e debatidos em mesas temáticas. Docentes da faculdade que realizaram mestrado, doutorado ou pós-doutorado em outras instituições também têm a oportunidade de falar sobre suas pesquisas.
A mesa de abertura foi composta inicialmente pelo coordenador da Pós-Graduação, professor Dimas Künsch, o vice-coordenador professor Claudio Coelho e a coordenadora do CIP, professora Maria Goreti Juvêncio. Após breves apresentações, chamaram à mesa o professor Carlos Guilherme Mota, pós-doutor pela Universidade de Stanford na Califórnia e docente da Universidade de São Paulo e Presbiteriana Mackenzie.
Bem humorado, Mota iniciou a conferência com uma retrospectiva histórica que envolveu desde a política de Dom Pedro II chegando até a ditadura militar no Brasil, passeando sempre no âmbito da pesquisa acadêmica, assunto que fez questão de destacar e repetidamente interpolar a frase “isso é um tema de pesquisa” entre suas observações.
Mota falou da importância não só da pesquisa, mas também da Universidade e a atmosfera que ela está envolvida. “A produção de conhecimento não se faz sem o clima universitário”, disse o professor. “Todos somos agentes desse clima. E essa atitude tem que ser cultivada”. Um dos fundadores do Memorial da América Latina, Mota lembrou dos tempos em que estudou na USP e reviveu nomes de grandes teóricos, como Florestan Fernandes, e José Serra. “O José Serra era o primeiro da turma e não passava cola. Péssimo sinal de caráter”, brincou Mota.
Autor de mais de 30 livros, dois deles doados à biblioteca da Faculdade Cásper Líbero, Mota, ao falar sobre a cultura brasileira e o cotidiano das grandes cidades. atualizou o conceito de capitão do mato, confrontando-o aos seguranças da Rua Oscar Freire, zona sul de São Paulo, além de comparar as caminhonetes caras que rodam pelas ruas de São Paulo aos “bunkers” da Segunda Guerra Mundial, para falar sobre uma sociedade que vive fora das áreas do conhecimento e pesquisa.
“Meu universo é o universo intelectual. Nada é melhor do que ser um intelectual”, disse Mota. Quando comentou sobre a interdisciplinaridade, finalizou trazendo o conceito de pesquisa novamente para uma realidade menos formal, e responsabilizando todos ali presentes. “Nós trabalhamos, sonhamos, pesquisamos para montar uma sociedade civil moderna. Todos, de alguma maneira, somos pesquisadores”.