Produção sueca surpreende com trama singela e fluida
A série Millennium, do escritor sueco Stieg Larsson, fez um sucesso estrondoso ao redor do mundo. Composta de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar, a trilogia vendeu mais de 27 milhões de cópias. Cada um dos livros ganhou uma adaptação cinematográfica, e a primeira delas chega aos cinemas.
Acompanhamos a história de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), jornalista obstinado e engajado que dirige uma revista chamada Millennium. O filme inicia quando ele é sentenciado a três meses de prisão por difamar um grande empresário, através de uma reportagem repleta de informações falsas. Sua pena só será cumprida após seis meses, e, no fim do julgamento, é procurado por um homem.
Ele é um representante de Henrik (Sven-Bertil Taube), magnata idoso da dinastia Vanger, que pede para Blomkvist investigar o sumiço de sua sobrinha, Harriet (Ewa Fröling). Porém, o caso ocorreu quarenta anos antes e nada foi descoberto desde então, nem mesmo se ela foi assassinada, como suspeita o tio. O jornalista é chamado para morar na pequena ilha de Hedestad, onde a jovem, então com 16 anos, foi vista pela última vez.
Enquanto isso, seus movimentos são rastreados por Lisbeth Salander (Noomi Rapace), uma hacker antissocial que tem o costume de se envolver em situações violentas. Seu passado é obscuro e o presente controlado por um curador que administra todos os seus bens. Quando Blomkvist descobre que está sendo vigiado por Salander, a contata e propõe uma aliança para ajudar na investigação sobre Harriet.
O roteiro adquire a forma de um típico “whodunit” (algo como “quem é o culpado?”), com uma série de pistas levando o casal de protagonistas a revelar a verdade sobre o desaparecimento. Fórmulas prontas e clichês pipocam com frequência, como os resumos de investigação com imagens e frases sobrepostas. Também sobram certas redundâncias e explicações insistentes, que acabam dando pequenos trancos no andar da narrativa.
Entretanto, é importante ressaltar que, diferente de muitas adaptações literárias, Os Homens que Não Amavam as Mulheres não é um filme episódico. O diretor Niels Arden Oplev comanda a trama com fluidez, sem deixar a sensação de saltos apressados de um evento para outro. A simplicidade do roteiro de Nicolaj Arcel e Rasmus Heiserberg é digna de elogios. Explicações cheias de minúcias são descartadas em favor de revelações sucintas, evitando um excesso de floreios e informações. Lisbeth, a figura mais fascinante do longa, é bem explorada e deixa várias questões em aberto, em concordância com seu mote: “Todos têm um segredo”. Sua personalidade é magnética, e, como figura feminina, estaria bem situada tanto em um filme de James Cameron quanto de Lars von Trier. Com bom equilíbrio entre a simplicidade da história e o mistério da personagem, o suspense acerta por ser econômico.
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