Woody Allen mostra que nada é impossível no universo sexual
Transformar irreverência e ironias em estilo próprio é um, se não o principal, recurso utilizado por Woody Allen no filme Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo, mas tinha medo de perguntar. Baseado no livro de mesmo nome do médico norte-americano David Reuben, o longa contém sete histórias, aparentemente absurdas, que envolvem e solucionam dúvidas curiosas relacionadas ao tema.
O primeiro episódio testa a eficiência ou não do uso de afrodisíacos em uma relação sexual. Para tal, Allen interpreta um bobo da corte que deseja transar com a rainha do castelo usando uma poção. A ideia parece ser boa, mas o cineasta cria um clímax inesperado: na hora H, a rainha usa um cinto de castidade de metal no lugar da calcinha.
O segundo capítulo aborda a polêmica da sodomia. O médico Doug Ross é um homem casado e respeitado na área, até conhecer um paciente que mantém relações sexuais com uma ovelha. Ao ver o animal, o médico interpretado por Gene Wilder se transforma.
Na terceira história, Allen tenta descobrir o motivo de algumas mulheres não atingirem o orgasmo. O casal protagonista sai da sua festa de casamento e vai para casa ter a primeira noite de amor. A esposa, contudo, não sente prazer no sexo. O marido descobre, depois de certo tempo que a mulher só sente prazer em transar em locais públicos.
O quarto fragmento acaba com o preconceito de que os travestis são, necessariamente, homossexuais. Allen coloca a personagem principal em uma situação constrangedora: um pai de família, que vai conhecer a casa do namorado da filha, entra escondido no quarto da mãe do garoto e se veste com roupas dela.
O quinto episódio é um programa de TV que exemplifica o que é um pervertido sexual através de um jogo. Nele, os jurados tentam adivinhar com perguntas qual o fetiche do candidato. Aqui, o diretor ironiza a religião ao colocar um rabino como vencedor da maior perversão.
Na sexto capítulo, o cineasta deixa clara sua opinião de não acreditar nas pesquisas científicas relacionadas ao sexo. Ele é um médico que lembra o clássico Dr. Frankenstein, pela insanidade, laboratório sombrio e experimentos absurdos, como um seio gigante que anda pela cidade matando pessoas.
A última história compara o homem a uma fábrica, para mostrar como ocorre o processo de ejaculação. O enredo inteiro se passa dentro do corpo de uma pessoa, com pequenos funcionários trabalhando em cada órgão, para que aquele ser humano consiga transar com uma mulher.
Cada fragmento, portanto, é independente e curto, como um mini-conto. Neste filme, Allen consegue casar de forma inteligente o universo sexual e a comédia, elementos característicos da maioria de seus trabalhos, criando personagens desajeitadas e por vezes malucas, além das várias situações embaraçosas a que eles se submetem. Assistindo a tudo isto, é impossível não ficar tenso e ansioso pelo desfecho dos episódios. E as risadas tornam-se consequência de tal esperteza técnica do diretor.
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